Com a proximidade do encerramento da Copa do Mundo, a campanha 'Tirem o Refrigerante de Campo' intensifica a pressão sobre a Federação Internacional de Futebol (FIFA) para que futuras edições do torneio sejam livres de patrocínios de fabricantes de bebidas açucaradas. A iniciativa visa a revisão de contratos de longo prazo, como o da Coca-Cola, uma das principais marcas associadas à entidade e suas competições globais.
Impacto na Saúde Pública: O Foco da Campanha
A preocupação central da campanha reside na ligação direta entre o consumo de bebidas açucaradas e graves problemas de saúde, incluindo obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas. Mais de cem organizações da sociedade civil, com foco em saúde, meio ambiente e direitos da infância, de diversos países – incluindo oito brasileiras como Idec e Instituto Desiderata – apoiam a causa.
Dados divulgados pela campanha alertam para os riscos crescentes: um aumento de 250 mililitros (ml) na ingestão diária de bebidas adoçadas eleva em 12% o risco de obesidade, 19% o de diabetes tipo 2, 13% o de mortalidade cardiovascular e 5% o de mortalidade por todas as causas. 'Para a maioria das crianças e adolescentes, um refrigerante de 355 ml já ultrapassa a quantidade diária recomendada de calorias provenientes de açúcares livres', enfatiza a iniciativa.
Carta Aberta à FIFA e o Conceito de 'Sportswashing'
Com o apoio de aproximadamente 720 mil pessoas, a campanha formalizou suas demandas em uma carta aberta ao presidente da FIFA, Giovanni Infantino. O documento expressa profunda preocupação com a prática de 'sportswashing', um termo que descreve a 'maquiagem esportiva' onde marcas de refrigerantes associam seus produtos a eventos esportivos e a uma imagem de bem-estar, mascarando os impactos negativos na saúde.
A carta projeta que, durante a Copa do Mundo de 2026, 'até 6 bilhões de torcedores – muitos deles crianças – verão campanhas publicitárias que associam as maiores estrelas do futebol a bebidas açucaradas ligadas à obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças'. A diretora executiva do Instituto Desiderata, Renata Couto, reforça que essa estratégia de marketing pode moldar hábitos de consumo não saudáveis em crianças e adolescentes, com impactos a curto, médio e longo prazos. A campanha traça um paralelo com a indústria do tabaco, que nas décadas de 1990 e 2000, enfrentou pressões semelhantes e gradualmente foi banida dos patrocínios esportivos, como na Fórmula 1. A Agência Brasil solicitou um posicionamento da FIFA, mas não obteve resposta até o momento.
Outras Controvérsias Publicitárias no Esporte: As Bets
Além da publicidade de bebidas açucaradas, outro tema controverso no cenário esportivo e de mídia tem sido a proliferação de anúncios de plataformas digitais de apostas, conhecidas como 'bets'. No Brasil, a questão levou à implementação de portarias ministeriais, que, a partir de 10 de dezembro, impuseram restrições, exigindo alertas como 'Apostar pode causar dependência' e 'Aposta não é investimento' nas campanhas.


