A tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros passa a valer em 22 de julho. O governo de Donald Trump alega que o Brasil adota práticas que atrapalham o comércio com os EUA, citando o sistema de pagamentos Pix, a venda de etanol para fora, o desmatamento ilegal e a pirataria.
Mas os principais itens que o país exporta — petróleo, café, carne bovina, aviões e celulose — ficaram de fora da cobrança. Como boa parte do que o Brasil mais vende não será taxada, o impacto sobre a economia deve ser limitado, na avaliação da XP.
Balanços nos EUA: crescer é fácil, sustentar é o desafio
Começou a temporada de resultados do segundo trimestre nos EUA, e bancos como Morgan Stanley, Citigroup e Goldman Sachs já divulgaram seus números. O mercado espera um salto de 22,6% no lucro frente a um ano atrás, muito puxado pelo setor de energia.
A XP se diz otimista com o crescimento, mas cautelosa na leitura. O ponto central não é se as empresas vão crescer, e sim se conseguirão manter promessas de desempenho compatíveis com os preços já elevados das ações.
Oncoclínicas corre para renegociar R$ 5,1 bi em dívidas
A Oncoclínicas (ONCO3) enfrenta forte aperto financeiro e intensificou as conversas com seus credores. Em 13 de julho, a rede de tratamento de câncer pediu recuperação extrajudicial — um acordo para renegociar dívidas fechado fora do processo judicial comum.
O objetivo é criar um ambiente jurídico estável para reorganizar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas e alongar os prazos de pagamento. Com isso, a empresa tenta preservar o caixa e manter as operações funcionando normalmente.
Marfrig: menos espaço para erro
A XP cortou o preço-alvo da Marfrig (MBRF3) para R$ 20,50, ante R$ 20,90. A revisão reflete um cenário mais difícil para a National Beef, a acomodação mais rápida das margens na BRF (BRFS3) e um ambiente econômico menos favorável para a companhia.
Um real mais forte e juros mais altos pressionam a geração de caixa e a redução das dívidas da empresa. Apesar de as operações seguirem firmes, a XP vê a relação entre risco e retorno menos atrativa e mantém a recomendação neutra.
IPCA de junho surpreende para baixo
A inflação de junho veio abaixo do esperado, puxada por preços mais comportados em alimentos, serviços e nos núcleos (medidas que tiram da conta os itens mais instáveis). Foi um alívio para a leitura de curtíssimo prazo da inflação.
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Ainda assim, o quadro não é totalmente positivo: serviços que dependem de mão de obra seguem caros e os bens industriais mostram tendência menos favorável. A XP mantém a projeção de 5,2% para 2026 e de 4,2% para 2027.
Tesouro IPCA+ 2026 vence: e agora?
Com o vencimento do Tesouro IPCA+ 2026 se aproximando, o investidor terá dinheiro em caixa para realocar num momento importante da economia. Embora a Selic alta ainda favoreça aplicações que acompanham os juros, a expectativa de cortes futuros pede atenção.
Travar boas taxas por prazos mais longos ganha importância. Hoje, os juros acima da inflação desses títulos estão entre os mais altos já vistos — patamar registrado em menos de 10% da história —, uma chance rara para quem pensa no longo prazo.
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Crédito privado: o caixa das empresas no centro das atenções
No primeiro trimestre, a saúde financeira das empresas variou bastante entre os setores. Companhias reguladas ou com contratos longos ficaram mais estáveis, enquanto áreas mais sensíveis à economia, como o agronegócio, seguiram sob pressão nas margens.
Para o segundo trimestre, o foco será a capacidade de gerar caixa. Os juros altos continuam pesando sobre as contas, e as particularidades de cada empresa tornam a análise dos números mais complexa.


