A noite desta quinta-feira em Miami reafirmou a realidade que não surpreende mais ninguém.
Aos 18 anos, João Fonseca está surfando no topo da onda, com seguidas comprovações de que possui a capacidade ímpar de jogar um tênis de primeira categoria e ao mesmo tempo mostrar postura madura e uma enorme vontade de vencer, mesmo estando sob exagerados holofotes.
Na contramão, Beatriz Haddad Maia permanece completamente perdida. Apática, sem encontrar qualquer tipo de solução técnica ou tática, a pressão por vitória fica cada vez mais comprometida pela tenebrosa ausência de confiança. Não são apenas derrotas. São duras derrotas.
Enquanto o garoto carioca, ainda jogando seus primeiros grandes torneios, ocupa o 19º lugar entre os tenistas que mais pontuaram nesta temporada – está à frente de Taylor Fritz, Casper Ruud e até de seu próximo adversário, Ugo Humbert -, Bia é apenas a 90ª no ranking que considera pontos desde janeiro.
Não se espera perfeição. Em sua partida contra Learner Tien, um canhoto lutador e que privilegia os contragolpes, Fonseca não fez suas melhores apresentações, principalmente porque o primeiro saque não foi tão efetivo. Mas ele soube reagir ao tiebreak muito mal disputado e escolheu melhor o momento de atacar o adversário. Tien cansou antes porque não é nada fácil fazer a bola andar em Miami e ele precisou de muito esforço para manter a bola profunda. Fonseca, ao contrário, somou 43 winners.
Quando veio aquele inesperado mal-estar estomacal, já com quebra no terceiro set, o que vimos foi especial: Fonseca sabia que precisava jogar pontos curtos e focou-se em acertar o primeiro saque e definir em poucas bolas. E fez tudo isso com notável competência, incluindo subidas à rede oportunas. Tien praticamente não teve chance de alongar pontos. A cabeça firme e a clareza tática do João chegam a assustar.
Claro que não dá para comparar os momentos do João e de Bia. Enquanto um venceu 26 de suas 40 partidas desde dezembro, com quatro títulos conquistados, a canhota paulistana vive o drama da instabilidade e incertezas e essa mensagem parece chegar rapidamente à adversária.
Linda Fruhvirtova, que foi candidata a prodígio dois anos atrás, quando deu grande arrancada, veio do quali e tinha três vitórias já em Miami, portanto muito melhor adaptação. Mas nada disso conforta muito, porque a quantidade de escolhas ruins e execuções falhas de Bia são alarmantes. O saque se mostra irregular e machuca pouco. O forehand, sempre seu ponto mais forte, escapa demais. E aí é uma bola de neve descendo a ladeira.
Bia nem pode reclamar dos sorteios, que colocaram nomes como Rebecca Sramkova, Sonya Kartal e a própria Fruhvirtova no caminho de torneios importantes, onde dois ou três bons resultados poderiam trazer de volta a confiança perdida. No período de má fase no tênis, jogar bem não faz diferença. É preciso ganhar, do jeito que for.























