A digitalização avança a passos largos em todos os setores e não é diferente no mercado imobiliário. Muitos serviços online facilitaram a vida de quem procura e de quem aluga imóveis, mas também abriu espaço para golpes cada vez mais sofisticados. Utilizando anúncios clonados, contratos com aparência profissional, sites falsos e incluindo até visitas presenciais aos imóveis, muitos criminosos vem conseguindo convencer vítimas a realizar pagamentos antecipados, normalmente via Pix, antes que descubram que o verdadeiro proprietário nunca autorizou a negociação.
Um caso ganhou repercussão nacional agora em julho após a influenciadora Vanessa Fonseca relatar ter perdido quase R$ 6 mil durante sua mudança para Goiânia. Segundo a vítima, o homem que conduziu a negociação se apresentou como corretor, permitiu a visita ao apartamento e encaminhou um contrato de locação. A fraude do aluguel só foi descoberta quando ela procurou a administração do condomínio e constatou que o suposto profissional não tinha qualquer vínculo com o imóvel.
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O episódio não é isolado. Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis (Crecis) e entidades do setor em todo o país vêm alertando para o aumento da sofisticação das fraudes imobiliárias. Segundo o CRECI-SP, criminosos utilizam falsas intermediações, anúncios clonados, documentos adulterados e pedidos de pagamento antecipado para dar aparência de legalidade a negociações inexistentes.
Para Gyselle Campos Rodrigues, diretora comercial da imobiliária URBS Aluga, os criminosos passaram a explorar justamente a confiança que o ambiente digital transmite aos consumidores. “Hoje eles copiam fotos de imóveis reais, reproduzem anúncios, criam sites muito parecidos com os de imobiliárias e chegam a se apresentar como proprietários ou corretores. Por isso, a aparência de profissionalismo já não é suficiente para garantir que uma negociação seja verdadeira”, afirma.
Sinal de alerta
Uma das estratégias mais utilizadas pelos golpistas é anunciar imóveis por valores muito abaixo dos praticados na mesma região. A falsa oportunidade normalmente vem acompanhada de um discurso de urgência, alegando que existem outros interessados e que o imóvel será alugado rapidamente caso o pagamento não seja realizado imediatamente.
Entre os principais sinais de risco estão pedidos de Pix antes da assinatura do contrato, atendimento realizado exclusivamente por aplicativos de mensagens e dificuldade para comprovar quem é o proprietário ou o corretor responsável pela negociação.
“Se houver pressão para realizar uma transferência imediata, sem tempo para conferir documentos e informações, o consumidor deve desconfiar. Uma negociação segura acontece com transparência e sem pressa”, afirma Gyselle.
Visitar o imóvel não elimina risco
Conhecer pessoalmente o apartamento ou a casa continua sendo importante, mas já não basta para garantir que a negociação seja legítima. O Creci-GO alerta que criminosos chegam a copiar chaves durante visitas, anunciam imóveis reais em plataformas digitais por preços muito abaixo do mercado e exigem depósitos antecipados, desaparecendo após receber o dinheiro.
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Por isso, além da visita, especialistas recomendam confirmar quem é o proprietário, verificar se o corretor possui registro profissional e confirmar se ele realmente está autorizado a intermediar aquela locação.
Nos casos de apartamentos, outra medida simples pode evitar prejuízos, como procurar a administração do condomínio para confirmar se o imóvel está realmente disponível para aluguel e se o profissional responsável pela negociação possui autorização do proprietário.
Como verificar se a negociação é verdadeira
Antes de efetuar qualquer pagamento, o consumidor deve adotar alguns cuidados:
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- verificar se a imobiliária possui registro no Creci, CNPJ, endereço físico e canais oficiais de atendimento;
- pesquisar a reputação da empresa e avaliações de outros clientes;
- conferir cuidadosamente o contrato e a documentação do imóvel;
- confirmar as informações diretamente pelos canais oficiais da imobiliária, e não apenas pelo telefone informado no anúncio.
- confirmar se o corretor possui inscrição ativa no Conselho Regional de Corretores de Imóveis e também se quem conduz a negociação possui autorização formal do proprietário para oferecer o imóvel.
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Caiu no golpe? Saiba como agir
Caso a fraude seja descoberta após a transferência, a orientação é agir imediatamente. O primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência e comunicar a instituição financeira responsável pela transferência para tentar bloquear ou rastrear os valores enviados.
Também é fundamental preservar anúncios, comprovantes de pagamento, contratos, conversas, áudios e demais documentos relacionados à negociação, que poderão auxiliar na investigação policial.
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Segundo Gyselle, quanto mais rapidamente essas providências forem adotadas, maiores são as chances de contribuir para a identificação dos responsáveis e, eventualmente, recuperar parte dos recursos.
Para a especialista, a atuação de uma imobiliária profissional não se resume à apresentação do imóvel. Segundo ela, a intermediação envolve análise documental, conferência das informações, orientação jurídica e acompanhamento da relação entre proprietário e inquilino durante toda a locação.
“Alugar um imóvel envolve patrimônio, moradia e tranquilidade. Muitas pessoas acabam assumindo riscos em busca de um preço aparentemente melhor, mas essa economia pode resultar em prejuízo financeiro e muita dor de cabeça”, disse.
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Na avaliação da diretora, negociar com profissionais habilitados continua sendo a principal forma de reduzir os riscos, porque ele agrega segurança. “Antes de fechar qualquer negócio, pesquise a empresa, confirme as informações e negocie com profissionais habilitados.”


