No último sábado, 22, Marina Ruy Barbosa participou do Altas Horas para divulgar Antártida, novo filme nacional de suspense que abriu o Festival de Cinema de Gramado no dia 14 de agosto. O que acabou ganhando destaque, porém, foi um detalhe aparentemente banal: a atriz falou de maneira mais pausada durante a entrevista. Bastou isso para que a cena fosse transformada em piada nas redes sociais — e associada a outro momento célebre do programa, protagonizado por Fernanda Torres.
A comparação não nasceu exatamente da semelhança entre as duas situações, mas da memória coletiva da televisão e da velocidade com que a internet transforma pequenos gestos em assunto. No caso de Marina, o ritmo mais lento da fala foi interpretado de maneira bem-humorada pelos espectadores, que resgataram o relato de Fernanda sobre uma participação anterior no programa de Serginho Groisman.
Na ocasião, Fernanda contou no Que História É Essa, Porchat? que chegou ao Altas Horas depois de uma série de imprevistos e ouviu de uma pessoa que estava “totalmente drogada”. O comentário, evidentemente, não correspondia ao que havia acontecido. A atriz apenas protagonizou uma participação particularmente caótica e divertida, que incluiu até uma apresentação de “Vapor Barato” com integrantes d’O Rappa.
O episódio musical ajuda a explicar por que a lembrança voltou agora. Fernanda havia aprendido a canção em uma versão com andamento diferente e teve dificuldade para acompanhar a banda. O desencontro rendeu risadas no estúdio e se tornou um daqueles momentos espontâneos que a televisão, em sua melhor forma, consegue produzir sem planejamento.
A brincadeira envolvendo Marina fala sobre como consumimos televisão hoje. Em uma época marcada por vídeos curtos, cortes acelerados e estímulos sucessivos, até uma fala pausada pode parecer lentidão. Há também uma ironia nisso: a televisão, um dos poucos meios ainda capazes de sustentar conversas longas, passa a ser julgada pela lógica da velocidade das redes.
Fonte: Globo


