Policiais civis da 50ª DP (Itaguaí) prenderam, na segunda-feira, 28, três homens suspeitos de integrar uma quadrilha que se passava por agentes públicos para obter dados financeiros e acessar contas bancárias de vítimas. Os criminosos foram presos preventivamente por estelionato mediante fraude eletrônica em uma barbearia de Itaguaí, na Baixada Fluminense.
Segundo a Polícia Civil, o grupo abordava moradores do bairro Vila Salvador e se apresentava como integrante de programas do governo. Os suspeitos entregavam R$ 120 em dinheiro, sob a alegação de que o valor correspondia ao antigo benefício Vale Gás. Na sequência, coletavam informações financeiras das vítimas, incluindo dados usados para reconhecimento facial. Com essas informações, os criminosos acessavam as contas bancárias e contratavam empréstimos consignados, cujas parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento. Em um dos casos investigados, uma mulher de 65 anos teve um prejuízo superior a R$ 23 mil.
O antigo Vale Gás foi substituído pelo Gás do Povo, que passou a oferecer um vale-recarga em vez de dinheiro. A mudança ocorreu justamente com o objetivo de reduzir fraudes associadas ao benefício. Segundo a investigação, porém, criminosos continuam recorrendo ao nome de programas sociais para aplicar golpes.
A Polícia Civil informou que uma mulher, ainda não identificada, participava das abordagens nas residências. Um quarto integrante da quadrilha também é procurado. As investigações continuam para localizar os suspeitos e, segundo a corporação, identificar e responsabilizar a liderança da milícia que estaria por trás da estrutura criminosa.
Ligação com o Bonde do Zinho
As investigações apontam ainda que o grupo suspeito de aplicar o golpe estaria ligado ao Bonde do Zinho, também conhecido como Família Braga. Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, está preso desde dezembro de 2023, quando se entregou à Polícia Federal. Segundo as autoridades, mesmo detido, ele continuaria exercendo influência sobre a organização criminosa.
A quadrilha é apontada pelas autoridades como uma das principais estruturas milicianas do Rio de Janeiro, com atuação sobretudo na Zona Oeste. Em denúncia apresentada em 2022, o Ministério Público do Rio de Janeiro acusou integrantes da organização de envolvimento em crimes como homicídio, extorsão e corrupção para manter a estrutura criminosa.


