A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta quinta-feira, 8, que o fenômeno do Super El Niño se intensificará de forma contínua pelo mundo, até atingir seu “ponto máximo” em dezembro. De acordo com a instituição, o fenômeno de 2026-2027 pode ser o mais forte registrado desde ao menos 1950. O alerta foi feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão da ONU que publicou hoje seu boletim sobre o clima global para outubro, novembro e dezembro.
“O episódio de El Niño continuará se intensificando antes de alcançar seu ponto máximo, previsto para dezembro”, afirmou a OMM. “É provável que provoque temperaturas acima da média em grande parte do planeta e altere os padrões de precipitação, cenário em que aumentaria o risco de secas e inundações em diversas regiões”, alertou.
O El Niño é um fenômeno climático, causado pelo aquecimento da superfície das águas do Oceano Pacífico. Com sua chegada, mudanças nos ventos, na pressão e no padrão de precipitação por todo o mundo acontecem. O El Niño costuma acontecer a cada dois a sete anos, e durar entre nove e 12 meses. As condições oscilam entre o El Niño e seu oposto, a La Niña, com períodos neutros entre um e outro.
No caso do Brasil, a região Sul passará por mais extremos climáticos como chuvas e tempestades, enquanto o Norte e o Nordeste devem sofrer com menos precipitação. O Sudeste, assim como o Sul, deve sofrer com chuvas e o Centro-Oeste enfrentará grandes períodos de calor.
Fortalecimento rápido
“Prevê-se que as temperaturas da superfície do mar nas partes central e oriental do Pacífico tropical aumentem até atingir valores sem precedentes durante os meses de outubro, novembro e dezembro de 2026”, afirmou a OMM. “Isto se deve ao fortalecimento do episódio de El Niño, que vai determinar os padrões meteorológicos e afetar economias, ecossistemas e comunidades em todo o mundo”, acrescentaram.
Essa previsão baseia-se no consenso de 13 centros meteorológicos nacionais e internacionais de primeiro nível. “El Niño se consolidou e está se fortalecendo rapidamente”, ressaltou em comunicado a diretora da OMM, Celeste Saulo. “Segundo as previsões da OMM, a probabilidade de que o evento persista até fevereiro de 2027 é praticamente de 100% e ele pode vir a ser um dos episódios mais intensos desde, pelo menos, 1950”, apontou a especialista argentina.
Saulo esclareceu que El Niño não adiciona novo calor ao planeta, e sim libera aquele que está armazenado no oceano. “As águas que alimentam o El Niño apresentam as temperaturas mais altas já registradas. Em outras palavras, há mais calor que pode ser liberado”, afirmou.
Temperaturas marinhas
O índice que mede as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial centro-oriental, a região que está no coração do El Niño, aumentou de 1,6 °C acima do normal em junho para +2,5 °C em agosto. Para outubro, novembro e dezembro, prevê-se que a anomalia atinja aproximadamente 3,7 °C acima do normal. Esse seria o valor mais alto desde o início das observações, ao superar o recorde anterior de 2,6 °C estabelecido em 2015-2016.
O último fenômeno El Niño contribuiu para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado e para que 2024 atingisse o máximo histórico, com cerca de 1,55 °C acima da média pré-industrial de 1850-1900. Embora o El Niño geralmente alcance seu ponto de pico entre novembro e fevereiro, o aumento de temperaturas resultante costuma ocorrer mais tarde. O episódio atual desse fenômeno já está afetando gravemente algumas regiões, entre elas a América Central, onde animais e plantações estão morrendo em razão da seca.
(com AFP)


