O mercado brasileiro começa esta quinta-feira, 29, com sinais de cautela após três pregões consecutivos de queda do Ibovespa. A indicação de baixa nas negociações antecipadas de ações brasileiras no exterior e o recuo dos futuros de tecnologia nos Estados Unidos sugerem dificuldades para uma recuperação na abertura. O movimento, porém, ainda não permite antecipar uma quarta sessão de perdas.
Uma das referências é o EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne ações de empresas brasileiras. Às 7h01, no horário de Brasília, o ativo aparecia a 33,37 dólares no pré-mercado, queda de 0,74% em relação ao fechamento anterior, segundo levantamento do Nerd da Bolsa. Essas negociações ocorrem antes da abertura regular das bolsas americanas e têm menor volume, o que pode ampliar as oscilações.
Na quarta-feira, 28, o EWZ encerrou o pregão regular a 33,62 dólares, com baixa de 1,98%. Embora seja usado como termômetro do interesse por ações brasileiras, o fundo tem carteira diferente da composição do Ibovespa e também reflete a variação do real diante do dólar. Seu desempenho, portanto, não se traduz automaticamente em uma queda de mesma intensidade na B3.
O cenário externo também apresenta sinais divergentes. Às 7h57, os futuros do Nasdaq recuavam 0,93% e os do S&P 500 caíam 0,19%, enquanto os do Dow Jones avançavam 0,60%. No pré-mercado, as ações da Alphabet, dona do Google, perdiam cerca de 10% após a divulgação do balanço, pressionando o setor de tecnologia.
No Brasil, o ponto de partida é uma bolsa bastante pressionada. O Ibovespa caiu 2,68% na quarta-feira, aos 171.006,10 pontos, e acumulou perda de 16,6% na semana. O dólar, por sua vez, encerrou a sessão com recuo de 0,19%, a 5,34 reais, embora ainda tenha alta de 6,95% no período. As preocupações com as contas públicas e o cenário político continuaram pesando sobre os negócios.
A direção dos mercados ainda poderá mudar antes da abertura da bolsa brasileira. Às 9h30, estão previstos os dados do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos, da inflação medida pelo PCE e dos pedidos de seguro-desemprego. Os resultados ajudarão os investidores a recalcular as expectativas para os juros americanos, com efeitos sobre o dólar e a procura por ativos de países emergentes.
Fonte: Abril


