A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, o menor resultado para o período desde o início da série histórica, em 2012. O indicador recuou com o aumento do número de trabalhadores ocupados, que chegou ao recorde de 103,6 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua, divulgada nesta sexta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado veio em linha com a expectativa do mercado. A taxa estava em 5,4% no trimestre encerrado em junho e em 5,6% no mesmo período de 2025.
A população desocupada, formada por quem não tinha trabalho e procurava uma vaga, caiu para 5,6 milhões de pessoas. São 234 mil desempregados a menos do que no segundo trimestre e 417 mil a menos do que há um ano.
Ao mesmo tempo, a população ocupada cresceu em 581 mil pessoas na comparação trimestral. Em relação ao período de julho a setembro de 2025, 1,2 milhão de trabalhadores foram incorporados ao mercado.
Os 5,2% representam a menor taxa para um terceiro trimestre, mas não o piso absoluto da série. A mínima foi de 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025.
Ocupação alcança maior nível da série
Além do recorde no número de trabalhadores, o nível de ocupação chegou a 59%, também o maior já registrado pela pesquisa. O indicador mostra a proporção de pessoas que estão trabalhando dentro da população em idade de trabalhar.
O avanço, no entanto, não ocorreu de forma uniforme. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado permaneceu estável em 39,4 milhões. Também não houve mudança significativa entre empregados sem carteira, trabalhadores por conta própria e domésticos.
O crescimento da ocupação na comparação trimestral ficou concentrado na construção, que incorporou 210 mil trabalhadores e registrou alta de 2,8%. Os demais grupos de atividade não apresentaram variações estatisticamente significativas.
O número de empregadores cresceu 4,3% no trimestre e atingiu o recorde de 4,5 milhões. O setor público também alcançou a maior marca da série, com 13,2 milhões de empregados, embora tenha ficado estável em relação ao segundo trimestre.
A informalidade permaneceu praticamente inalterada. A taxa passou de 37,4% para 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores.
Mais trabalhadores elevam massa de renda
O aumento da ocupação também levou a massa de rendimentos ao maior valor da série. A soma dos ganhos de todos os trabalhadores chegou a 387,5 bilhões de reais, com alta de 1,5% ante o trimestre encerrado em junho. O acréscimo foi de 5,6 bilhões de reais.
Na comparação com o mesmo período de 2025, a massa de rendimentos cresceu 4,7%, o equivalente a 17,5 bilhões de reais.
O rendimento médio real ficou em 3.790 reais. O valor permaneceu estável no trimestre e avançou 3,6% em um ano, já descontada a inflação.
A combinação entre mais pessoas trabalhando e rendimentos maiores amplia a renda disponível para consumo, pagamento de dívidas e poupança. O dado também entra no acompanhamento da atividade econômica porque um mercado de trabalho aquecido pode sustentar a demanda e dificultar a desaceleração da inflação de serviços.
Subutilização fica estável
A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 13%, praticamente estável diante dos 12,9% registrados no segundo trimestre. O indicador reúne os desempregados, quem trabalha menos horas do que gostaria e pessoas que poderiam trabalhar, mas não procuraram uma vaga.
O país tinha 14,8 milhões de pessoas subutilizadas no trimestre encerrado em setembro. O número ficou estável na comparação trimestral, mas recuou em 957 mil pessoas em um ano.
Já a população desalentada, formada por quem gostaria de trabalhar, mas desistiu de procurar uma vaga, aumentou em 171 mil pessoas no trimestre, para 2,5 milhões. Apesar da alta recente, o contingente ainda era 178 mil menor do que o registrado no mesmo período de 2025.
Fonte: Abril

