Após deixar o cargo de chefe da Assessoria Especial de Defesa da Democracia e História e da Verdade do Ministério dos Direitos Humanos, o petista Nilmário Miranda vai se dedicar a articular a aliança do partido com o centro em Minas Gerais, de preferência apoiando o senador Rodrigo Pacheco para o governo e o ministro Alexandre Silveira para o Senado –ambos do PSD.
“Fui candidato a governador [de Minas pelo PT] duas vezes [2002 e 2006, em ambas derrotado pelo tucano Aécio Neves], conheço 600 municípios, e conheço bem umas 30 cidades importantes. Como agora não vou disputar a eleição, tenho diálogo em qualquer lugar. Então achei que teria um papel a desempenhar para unificar o campo à esquerda e centro-esquerda e fazer uma aliança com o centro.”
A partir da tese de que “quem não ganha em Minas não ganha no Brasil”, Nilmário diz que a prioridade é “unificar nosso campo e ao mesmo tempo romper essa coisa de ficar distante do centro”.
Primeiro ministro dos Direitos Humanos das gestões federais do PT (entre 2003 e 2005, no governo Lula 1), ex-deputado federal e ex-presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário elogia Pacheco: “Ele colaborou muito para pacificar a crise daquele assalto ao orçamento público do Centrão, essas emendas, esse parlamentarismo bastardo do Brasil. Ele foi muito importante.”
Assim, o ex-ministro torce para que Pacheco seja candidato ao governo de Minas, e não indicado ao Supremo numa vaga aberta com a eventual saída de Luís Roberto Barroso. “Prefiro ele. Se for indicado para o STF, vamos todos buscar outra solução.”
Foi Nilmário quem pediu exoneração do cargo. Pretendia fazê-lo no fim do ano, mas antecipou, em parte para voltar a Belo Horizonte para as articulações políticas, mas também para cuidar da saúde. “Desde a transição, fiz 130 viagens de ônibus [principalmente entre Brasília e BH], a maioria de madrugada, perdendo noites de sono. Tenho 78 anos.”
Nilmário é ex-preso político e autor, com Carlos Tibúrcio, do livro “Dos Filhos deste Solo”, importante inventário sobre mortos e desaparecidos da ditadura.
Ele afirma que, apesar da estrutura e do orçamento limitados, deixou bem encaminhados os trabalhos nas quatro áreas do Ministério dos Direitos Humanos com as quais lidava diretamente: as comissões de Anistia e Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, a Coordenação-Geral de Memória e Verdade da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Pessoas Escravizadas e o projeto Lugares Pela Memória. “É uma equipe muito boa. Pequena, mas muito boa.”
E defende que na chefia da assessoria da qual pediu exoneração seja nomeado o atual assessor Hamilton Pereira, o Pedro Tierra, poeta e também ex-preso político, com quem ficou detido no DOI-Codi 52 anos atrás. “Ele já foi secretário de Cultura no Distrito Federal duas vezes. É muito querido pelo nosso grupo lá [na Assessoria Especial de Defesa da Democracia e História e da Verdade do ministério], faz um bom trabalho. Mas obviamente é a ministra [Macaé Evaristo] quem decide.”
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