O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi vaiado ao participar de evento do Dia do Professor com o presidente Lula (PT) nesta quarta-feira (15), no Rio de Janeiro.
A plateia, formada por docentes da rede municipal e de universidades, proferiu gritos de “sem anistia” no momento em que o presidente da Câmara começou a discursar.
Diante da reação do público, Lula se levantou e ficou ao lado de Motta, em uma tentativa de conter os ânimos. O presidente da República já adotou essa postura de ficar em pé ao lado do falante em eventos com governadores adversários durante o atual mandato.
Motta não foi anunciado pelo cerimonial do evento. O ministro da Educação, Camilo Santana, cedeu a palavra a ele para após encerrar o discurso e ouvir um apelo de Lula. Diante disso, o ministro da Educação voltou ao microfone e citou votações no Congresso, cedendo, em seguida, a palavra ao presidente da Câmara.
Ele elogiou Lula uma semana após nova tensão na relação entre a Casa e o governo com a derrubada da medida provisória que aumentava os impostos. “Neste dia nacional do professor, é uma honra estar aqui ao lado do senhor, sem dúvida alguma, o presidente que mais fez pela educação do Brasil, está demonstrando mais uma vez esse compromisso”, afirmou.
No final do discurso, o volume de vaias foi reduzido, com gritos isolados contra Motta. Ele foi cumprimentado por ministros e por deputados aliados de Lula, como o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).
Lula fez críticas ao Congresso durante o discurso.
“Hugo é presidente desse Congresso e ele sabe que esse Congresso nunca teve a qualidade de baixo nível como tem agora. Aquela extrema direita que se elegeu na eleição passada é o que existe de pior”, afirmou.
O petista também disse que a população precisa de “consciência política” para eleger deputados e senadores em 2026.
“A cara do Congresso Nacional é o resultado da consciência política que vocês tiveram no dia das eleições. Depois não adianta reclamar”, afirmou.
Em dois momentos do discurso, o presidente fez críticas ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), sem citá-lo nominalmente.
“Esse ano foi o ano da colheita e ano que vem é o ano da verdade. Quem quiser mentir vá para a casa do chapéu, porque a gente não vai permitir a volta de mentiroso nesse país. Chega de cidadão ir para os Estados Unidos tentar inflar os americanos contra nós.”
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, também foram vaiados por parte dos professores municipais presentes no evento. Paes tentou aplacar as vaias com anúncio de reajuste anual e acordo de resultados à categoria.
Durante o evento, o governo lançou a carteira nacional docente, que prevê descontos e vantagens aos professores. O documento tem validade de dez anos e é destinado a profissionais de todos os níveis e etapas da educação, das redes públicas e privadas. O sistema de solicitação será aberto a partir desta quinta-feira (16), por meio da página do programa Mais Professores, com acesso via conta gov.br.
Além de Camilo Santana, também estavam presentes os ministros Esther Dweck (Gestão e Inovação) e Anielle Franco (Igualdade Racial).
