A Enel prevê uma longa batalha para manter o contrato de fornecimento de energia elétrica em São Paulo e não cogita vender a concessão, nem pretende desistir de sua renovação.
Fontes da empresa afirmam que a insatisfação da população com a demora para normalizar o serviço é compreensível, mas que o evento climático que gerou o problema foi extremo. Nesta quarta-feira (17) ainda havia 45 mil clientes sem luz.
A Enel pretende apresentar argumentos técnicos à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para evitar a caducidade do contrato, pedida nesta terça-feira (16) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes após reunião no Palácio dos Bandeirantes.
Para a companhia italiana, o encontro foi um ato político, e não baseado em critérios técnicos. O governo federal, o que mais vinha defendendo a empresa, teria sido levada a mudar de posição por intensa pressão popular.
A empresa argumenta que um desfecho rápido da disputa, em poucos meses, como querem sobretudo Tarcísio e Nunes, não será possível. Nas palavras de um interlocutor da empresa, o processo não será nem curto, nem simples.
Além da ação de caducidade em si, seria preciso organizar uma nova licitação em caso de interrupção do contrato, num trâmite que poderia chegar a até 18 meses. Nesse meio tempo, haveria interrupção de investimentos que estão sendo feitos para tornar o sistema mais resiliente.
Por ora, ações judiciais não estão na mesa, e a prioridade é a aposta na via administrativa.
A Enel diz ter um robusto arsenal técnico para se defender e manter a concessão. Afirma que investiu R$ 10 bilhões em melhoria do sistema e contratação de eletricistas.
Segundo dados da empresa, na crise gerada pelo ciclone da semana passada, foram mobilizados 3.800 técnicos, o dobro de um evento em outubro do ano passado. Nos corredores da empresa, há indignação com a acusação feita por Nunes de que apenas 40 carros da empresa foram às ruas na crise.
Outro argumento é que nenhuma concessionária conseguiria fazer serviço melhor tendo em vista a força dos ventos que atingiram a cidade na última quarta-feira (10). Ou seja, trocar a empresa não traria ganho real de qualidade.
A Enel pretende também insistir cada vez mais na defesa do enterramento dos fios, o que seria a ação mais importante para minimizar futuros apagões. É um processo caro e demorado, mas que poderia ter avanços rápidos se houver planejamento, diz a empresa.
Uma questão adicional, segundo pessoas que acompanham o tema, seria a possibilidade de impacto nas relações entre Brasil e Itália, dada a participação acionária do país europeu na empresa.
A Enel tem 90% do mercado italiano de energia e 30% do espanhol, por exemplo, além de estar presente em outros países, o que traz peso político. Especula-se que a questão teria contribuído para a decisão da primeira-ministra italiana, Georgia Meloni, de não assinar o acordo comercial com o Mercosul, nesta quarta (17).
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