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Home » Cientistas descobrem vidro raro gerado com a queda de meteorito no Brasil há 6 milhões de anos | G1
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Cientistas descobrem vidro raro gerado com a queda de meteorito no Brasil há 6 milhões de anos | G1

RedaçãoBy Redaçãojaneiro 25, 2026Nenhum comentário6 Mins Read
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Cientistas descobrem vidro raro gerado com a queda de meteorito no Brasil há 6 milhões de anos | G1
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Cientistas descobrem vidro raro gerado com a queda de meteorito no Brasil há 6 mi de anos
Um grupo de cientistas identificou, pela primeira vez no Brasil, um tipo raro de vidro formado a partir do impacto da queda de um meteorito há 6,3 milhões de anos. De acordo com os pesquisadores, a descoberta dos chamados tectitos no território nacional ajuda a entender a história de colisões cósmicas na Terra.
☄️Tectitos? Estes fragmentos de vidros naturais surgem a partir do choque de corpos extraterrestres contra a superfície do nosso planeta. O impacto gera uma energia tão alta, capaz de derreter e fundir as rochas (ricas em sílica), que são arremessadas à atmosfera e resfriam rapidamente, formando esse tipo de material.
“Tectito é um material bastante raro, existem pouquíssimas ocorrências no mundo e essa nossa é a sétima registrada. Esse material é arremessado pela atmosfera e se espalha por áreas grandes, mas os eventos que formam cada uma dessas áreas são poucos. Então, tem um interesse científico muito grande”, afirma Álvaro Crostra, professor do Instituto de Geociências da Unicamp, que estuda estruturas formadas pos impactos de meteoritos desde a década de 1970.
Exemplares de tectitos encontrados em Minas Gerais catalogados pela Unicamp
Álvaro Crósta/Unicamp
🌍Segundo o pesquisador, existem registros desse tipo de fragmento em seis lugares do planeta: Australásia, Europa Central, Costa do Marfim, América do Norte, Belize e Uruguai. O campo brasileiro agora passa a ser a ser o sétimo campo de tectitos com comprovação no mundo.
As estruturas encontradas no Brasil foram batizadas de geraisitos, em homenagem aos primeiros exemplares encontrados em Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso, municípios no norte de Minas Gerais. Até o momento, foram registrados mais de 600 exemplares de tectitos espalhados pelos estados de Minas Gerais, Bahia e Piauí, em uma área de aproximadanemte 900 quilômetros.
🔬Para comprovar a origem do material, foram feitas análises químicas, isotópicas e geocronológicas de alta precisão que revelam que a colisão cósmica teria acontecido há 6,3 milhões de anos — saiba mais abaixo.
O estudo foi publicado na revista científica Geology em dezembro de 2025, com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade de São Paulo (USP) e de instituições internacionais. Os cientistas seguem em busca de mais informações, principalmente para tentar responder à pergunta que ficou em aberto: “onde está a cratera?”.
Área de ocorrência de tectitos no Brasil
Álvaro Crósta/Unicamp
Geraisitos: formatos, cores e pesos
Tectitos encontrados em solo brasileiros medem até 5 centímetros e pesam menos de 90 gramas
Álvaro Crósta/Unicamp
Se você já viu um vidro vulcânico, como a obsidiana, poderia se confundir, já que são muito parecidos.
Os fragmentos cabem na palma da mão, chegando a 5 centrímetros e com peso que varia de 1 grama até 85,4 gramas.
À primeira vista, os geraisitos parecem pequenas estruturas pretas e opacas. Mas quando colocados contra a luz, exibem sua aparência translúcida e verde acizentada.
Os formatos também variam, assumindo formas esféricas, torcidas, em gotas, de discos e com cavidades. De acordo com o pesquisador, isso acontece pois “o material de rocha derretida espirra e conforme está viajando em contato com o ar e vai resfriando, vai adquirindo formas aerodinâmicas: formas de gota, forma de bastão, forma de disco, que são típicos dos tectitos”.
“E eles têm umas cavidadezinhas na superfície que são bolhas de gases. Ou seja, é o ar que está preso ali, a hora que vai esfriando o ar escapa e fica aquela bolinha. E ele quando cai, ele já cai solidificado, ou seja, duro, né?”, explica Crósta.
Geraisitos ficam translúcidos sob luz intensa
Álvaro Crósta/Unicamp
Composição geoquímica e idade
As amostras de geraisitos passaram por exames detalhados em laboratórios do Brasil, França, Áustria e Austrália. Entre as técnicas utilizadas estão microanálises químicas, datação isotópica e espectroscopia no infravermelho.
Os resultados mostram que o material é rico em sílica, tem baixíssimo teor de água e apresenta inclusões de lechatelierita — um tipo de vidro quase puro de sílica, típico de eventos de impacto meteorítico. De acordo com Crósta, essas características afastam a hipótese de origem vulcânica e são típicas de estruturas originadas por impacto.
As datação feita com isótopos de argônio também indicam que o evento aconteceu há cerca de 6,3 milhões de anos.
Onde pode estar a cratera?
Os geraisitos indicam que houve uma queda de meteorito na região que hoje é o nordeste brasileiro. Mas se houve uma colisão, houve uma cratera, que ainda não foi identificada.
As análises geoquímicas indicam que os tectitos brasileiros se formaram a partir de rochas antigas, de granito, que existem há bilhões de anos na região do cráton (são áreas estáveis e antigas do continente) de São Francisco, que engloba partes de Minas Gerias, Bahia, Sergipe, Pernambuco e Goiás).
“O cráton de São Francisco é o nosso candidato preferido para ter uma cratera, que pode ou não estar exposta. Em seis milhões de anos, muita coisa pode acontecer. ela pode estar já erodida, recoberta. Se ela for muito pequena, ela não sobrevive muito tempo. Se ela for maior, aí a tendência é sobreviver por mais tempo”, explica o pesquisador Crósta.
Ainda não é possível prever o tamanho da cratera. Mas o pesquisador acredita que é maior do que a encontrada na Alemanha, que gerou um campo de tectitos na República Tcheca, conhecido como moldavito.
“É grande, porque pra provocar um campo de 900 quilômetros, que já é maior que o campo da República Tcheca, que tem 25 quilômetros … eu acho que tem que ser realmente de maior porte”, ilustra o pesquisador.
Marco para a geologia brasileira
Professor Álvaro Cróstra, do Instituo de Geociências da Unicamp, segura um geraisito
Álvaro Crósta/Unicamp
De acordo com o pesquisador Álvaro Crósta, os estudos vão seguir na Unicamp e na USP, nas seguintes direções:
comparação com os outros campos de tectitos para ajudar a descobrir onde está cratera;
análises realizadas no Sirius (em Campinas), maior acelerador de partículas da América Latina capaz de fazer análises de microestruturas;
expandir a pesquisa ao Sítio Arqueológico da Serra da Capivara, para ompreender se os tectitos foram usados por povos originários do Brasil.
Segundo os autores do estudo, a descoberta amplia o conhecimento sobre impactos de meteoritos na América do Sul, uma região ainda pouco estudada nesse tipo de registro geológico.
Além de colocar o Brasil no mapa mundial dos tectitos, a descoberta abre novas linhas de pesquisa sobre a história geológica do território e eventos extremos que moldaram a crosta terrestre.
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.


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