
Imagem de arquivo mostra pessoa usando o celular.
Reprodução/TV Globo
Campinas (SP) registrou 223 boletins de ocorrência por crimes cibernéticos em 2025, um aumento de 12% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Polícia Civil. Em 2024, foram 199 registros do tipo.
🔎 Crimes cibernéticos são atividades ilícitas cometidas por meio de computadores e dispositivos conectados à internet. Ter o celular invadido, ser alvo de perseguição nas redes sociais ou cair em golpes de perfis falsos são situações que podem ser investigadas nesta tipificação.
Para o diretor do Deinter-2, Oswaldo Diez, o aumento do uso da internet e a popularização das redes sociais e dispositivos digitais podem explicar o crescimento.
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Orientações
Sede do Deinter-2, em Campinas
João Gabriel Alvarenga/g1
Segundo Oswaldo Diez, preservar os dados pessoais é fundamental para evitar que sejam usados em fraudes, como saques indevidos e compras em sites falsos.
Para evitar golpes, a Polícia Civil recomenda cuidados, como:
manter antivírus atualizado nos dispositivos;
evitar abrir anexos e links de remetentes desconhecidos;
conferir se o endereço do site é o oficial antes de fazer compras ou cadastros;
não fornecer dados pessoais em páginas suspeitas.
Prejuízos
Crimes cibernéticos crescem 12% nas região de Campinas entre 2024 e 2025
A empresária Cristiane Volponi conta que fez uma compra pela internet em dezembro. O pagamento foi realizado dentro de um site de compras conhecido. Cerca de cinco minutos depois, o valor já havia sido debitado quando ela recebeu uma mensagem no WhatsApp de golpistas que tinham acesso a dados pessoais dela. Eles diziam que não haviam conseguido gerar a etiqueta de envio.
“Eles entraram em contato com a gente pelo WhatsApp, com o nome, endereço, todos os nossos dados”, narrou Cristiane.
Ela explicou que não queria cancelar o pedido, e os criminosos orientaram que ela fizesse um novo pagamento para liberação do envio por outra transportadora. O marido dela fez um Pix diretamente ao golpista, acreditando que isso resolveria o problema. Foi nesse momento que ela percebeu que se tratava de um golpe. O prejuízo total foi de R$ 1,2 mil, valor não recuperado até hoje.
No fim de fevereiro, Cristiane afirma que foi vítima novamente: a página profissional dela foi clonada. Uma pessoa utilizava suas fotos e seu portfólio para vender serviços como se fosse ela. A empresária registrou outro boletim de ocorrência e precisou se manifestar nas redes sociais explicando que não era a responsável pelas postagens.
“Eu trabalho com festas, essa pessoa enviava as minhas fotos, o meu álbum como se fosse dela e usou a minha imagem para vender. Aí eu tive que ir na rede social, me expor e dizer que não, que não era eu. É difícil você ter que provar para outros que você é você mesma”, disse.
Imagem de arquivo mostra uso de celular.
Reprodução/TV Globo
O vendedor online Rick Luchesi relatou que trabalhava em uma plataforma de vendas e estava enfrentando dificuldades de acesso. Ao buscar ajuda em uma rede social, recebeu resposta de um perfil que acreditou ser o oficial da plataforma. No entanto, tratava-se de criminosos.
Após o contato, sua rede social foi banida pelos golpistas, que passaram a divulgar postagens que não eram dele. Amigos o alertaram sobre o conteúdo suspeito. Ele registrou boletim de ocorrência pela internet e conseguiu recuperar a conta.
“Por fim eu consegui recuperar. Mesmo estando no meio, a gente está sujeito a passar por isso”, comentou Rick.
Já o funcionário público Márcio Santos Belleze contou que teve a rede social invadida. A partir do perfil dele, os criminosos passaram a pedir dinheiro a amigos e conhecidos, afirmando que ele recomendava uma suposta empresa de investimentos. Segundo ele, uma amiga quase fez transferência de R$ 13 mil ao golpista.
Márcio só soube da tentativa quando ela ligou para confirmar o investimento. Ele conseguiu reverter a situação e recuperou a conta, mas decidiu processar a rede social por danos morais. A Justiça determinou o pagamento de R$ 8 mil de indenização. Ele disse que a situação trouxe “dor de cabeça” e preocupação com o próprio nome sendo usado para enganar terceiros.
“O nosso nome aí, né, dando golpe nas pessoas. É preocupante”, afirmou.
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