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Home » Amapá tem proporcionalmente mais mulheres na política – 15/03/2026 – Política
Política

Amapá tem proporcionalmente mais mulheres na política – 15/03/2026 – Política

RedaçãoBy Redaçãomarço 15, 2026Nenhum comentário6 Mins Read
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Amapá tem proporcionalmente mais mulheres na política – 15/03/2026 – Política
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Se mantiver o desempenho das últimas duas eleições gerais, o Amapá pode ser o estado que, proporcionalmente, mais vai eleger mulheres entre os vencedores nas eleições 2026.

Em 2022, 27% do total de eleitos foram mulheres, a maior porcentagem do Brasil, cuja média foi de 18%. Em 2018, o Amapá também venceu todos os outros estados, com a marca de 30% (contra a média de 16% do país).

Na outra ponta, Mato Grosso aparece entre os piores colocados nas duas últimas eleições gerais. Em 2022, ficou ao lado de Mato Grosso do Sul, com 10,8% de mulheres entre os eleitos, o pior valor. No pleito geral anterior, registrou o penúltimo lugar, com 8%, perdendo apenas para Goiás (6%).

Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não consideram alterações posteriores às eleições que interferiram nos candidatos aptos a exercer os mandatos, caso das sobras eleitorais aplicadas em 2025.

Especificamente nas Assembleias, a diferença na representatividade feminina entre Amapá e Mato Grosso é evidente. Cada estado tem 24 cadeiras. Desse total, 7 são mulheres no estado nortista, contra uma em Mato Grosso.

Para especialistas, faltam estudos que expliquem a diferença. À Folha elas tecem hipóteses que passam por cultura, história e a ascensão tardia como estado federativo para tentar explicar a dianteira amapaense.

Teresa Sacchet, professora de ciência política da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e pesquisadora associada da USP, aponta que a diferença chama a atenção porque as unidades da federação estão cobertas pelas mesmas regras de gênero. Ela afirma que o tema é pouco explorado entre pesquisadores e não tem explicação consolidada.

Por isso, Sacchet coordena um estudo cujos primeiros resultados devem sair em agosto. A hipótese é que a diferença se dá pela atuação dos partidos em cada estado, seja na distribuição de recursos ou na participação de mulheres em estruturas de tomadas de decisões, como os diretórios.

Segundo Débora Souto, mestranda em direito pela Unifap (Universidade Federal do Amapá) com pesquisas sobre o tema, uma explicação para o melhor desempenho amapaense pode ser o fato de ele ter virado estado com a Constituição de 1988.

Antes território federal, sua primeira eleição geral sob a tutela do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) ocorreu apenas em 1994, período no qual já se discutia a questão de gênero, com a criação de uma lei de cotas em 1995.

Outra hipótese tem relação com dois perfis de políticas no estado que facilitariam a ascensão. O primeiro é o daquelas que herdaram capital familiar, associando-se ao campo em razão da já participação dos homens da família. Outro seria o de mulheres que desenvolveram a carreira vindas de movimentos sociais, caso da deputada federal Marcivânia (PC do B).

A congressista afirma que a ideia de ir para a política institucional surgiu com colegas de profissão. “Um grupo de professores colegas meus entendeu que, para fortalecer a categoria, era preciso estar nesse espaço”.

Sem familiares na política, ela tentou pela primeira vez entrar no campo em 2008, como candidata a vereadora da cidade de Santana.

Atualmente, é uma das duas deputadas federais em exercício pelo Amapá. A colega de ofício é Fátima Pelaes (Republicanos), suplente de Aline Gurgel (Republicanos). Para Marcivânia, o Amapá está na vanguarda, mas precisa intensificar a agenda e dar mais oportunidades a negras e indígenas.

Segundo Débora Souto, também precisa entrar na equação a possível estratégia de homens com tradição na política local de tentar estender a influência a partir de esposas e parentes.

Todas as sete deputadas estaduais do Amapá são esposas ou irmãs de políticos com mandato de prefeito e vereador ou ex-deputados estaduais e ex-prefeitos. No caso de Alliny Serrão (União Brasil), primeira mulher a presidir a Casa, a tradição política veio com a família do marido Márcio Serrão, ex-prefeito de Laranjal do Jari.

O pai de Márcio, Jorge Serrão, foi vereador da cidade nos anos 1990, candidato a prefeito e a deputado estadual. A mãe, Luzimeire, foi vice-prefeita e deputada estadual. Alliny afirma que a entrada na política institucional se deu por influência do marido, em momento de crise para a família no campo. O primeiro mandato se deu em 2012, como vereadora de Laranjal do Jari.

O esposo Márcio, entretanto, se candidatou pela primeira vez depois, em 2014, quando ficou como suplente a deputado estadual. Em 2016, foi eleito prefeito da mesma cidade pelo PRB —e reeleito no pleito seguinte.

Alliny afirma que o capital familiar não evitou a desconfiança que a acompanhou até a presidência da Casa. “Quando eu assumi a Assembleia Legislativa, 99,9% das apostas diziam que não ia dar certo”.

Pesa também para o cenário do Amapá a cultura local, afirma Fátima Guedes, professora de ciência política da Unifap. Para ela, o estado tem características matriarcais que podem explicar em parte o fenômeno.

Também pode influenciar o fato de ter um dos menores colégios eleitorais. “Nesse contexto de menor escala, o eleitor tende a conhecer mais de perto suas lideranças e trajetórias. Os vínculos comunitários mantidos são mais próximos, o que também poderia ser uma vantagem para as mulheres.”

Segundo Alzira Nogueira, mestre em sociologia pela UFC (Universidade Federal do Ceará), também é preciso considerar a história local do estado, com quadros femininos importantes.

Ela, que ficou como suplente a deputada estadual pelo PSOL em 2022, cita como exemplos a deputada constituinte Raquel Capiberibe, Dalva Figueiredo, que chegou a assumir o governo estadual em 2002, e a ex-vice-governadora Dora Nascimento.

Segundo Mariele Troiano, professora de ciência política da UFF (Universidade Federal Fluminense), já é consolidado na literatura que Norte e Nordeste costumam eleger mais mulheres, se comparado ao Centro-Oeste.

No caso de Mato Grosso, uma hipótese para a baixa representação está associada a sua principal matriz econômica, o agronegócio, “dominado majoritariamente por homens da região”.

É o que também pensa Christiany Fonseca, cientista política e professora do IFMT (Instituto Federal de Mato Grosso). Ela adiciona ao cálculo a extensão territorial do estado (Mato Grosso tem área territorial superior a 900 mil km², e o Amapá, de 142 mil km²), o eleitorado disperso e a forte interiorização do voto, o que torna a campanha cara para mulheres por vezes preteridas na distribuição de recursos pelos partidos.


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