A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial aponta para um empate técnico, segundo a nova edição do AI Index, um dos principais estudos internacionais do setor, publicado anualmente pela Universidade Stanford.
Os dois países se alternaram na liderança diversas vezes ao longo do ano passado, e, em fevereiro de 2025, o modelo DeepSeek-R1 chegou a ultrapassar o modelo americano mais poderoso na ocasião.
Em março deste ano, quando termina a série, o principal modelo da Anthropic superava o dos chineses em apenas 2,7% na métrica de desempenho.
Apesar dessa disputa palmo a palmo, o relatório de Stanford revela um cenário assimétrico quando se olham os dados com lupa.
Por um lado, os Estados Unidos ainda lideram na criação de sistemas de ponta e produziram 50 modelos de IA do tipo no ano passado, contra 30 da China (para se ter uma ideia, o terceiro lugar, a Coreia do Sul, vem longe atrás, com cinco no total).
Os americanos também estão à frente no volume de investimento privado em IA generativa, com US$ 286 bilhões, contra US$ 12 bilhões dos chineses, e superam com ampla vantagem mesmo que os investimentos europeus sejam somados ao bolo.
O relatório faz a ressalva de que os dados não levam em conta os recursos de fundos público-privados que o governo chinês usa para direcionar investimentos na área —essa ferramenta injetou US$ 184 bilhões em empresas do setor entre 2000 e 2023.
Por outro lado, a China é líder em outros critérios cruciais, como produção científica, número de patentes e implantação industrial dessa tecnologia —a aplicação da IA na produtividade pode, em tese, ser a prova dos nove na disputa entre as potências.
Os chineses foram responsáveis por 18% das publicações científicas nesse campo em 2024, contra 11% da Europa e 7% dos Estados Unidos. As publicações da China também foram as mais citadas por outros cientistas, mais de 20% desse total.
Um outro termômetro são as patentes. Enquanto o número de artigos ajuda a medir a produção científica, elas ajudam a vislumbrar a aplicação e desenvolvimento comercial das descobertas na área. E a China foi responsável por 74% das patentes globais, contra 12% dos Estados Unidos.
Essa é uma trajetória que se inverteu. Em 2015, para se ter uma ideia, os americanos eram os donos de 43% das patentes, enquanto os chineses ficavam abaixo de 20%.
Uma outra vantagem dos chineses está na IA para manufatura —ou seja, que é aplicada na fabricação de bens de consumo. O país continua a implementar mais robôs na indústria do que o resto do mundo inteiro somado, sendo responsável por 54% (295 mil no total) do total global em 2024, até onde vai a série.
Outros mercados importantes, como Alemanha, Japão e Estados Unidos, continuaram com números estáveis ou viram um declínio.
São números que indicam estratégias distintas dos dois países: enquanto os EUA dominam o desenvolvimento de sistemas comerciais avançados, a China segue apostando em escala industrial e produção científica massiva.


















