O presidente Lula (PT) passou por um procedimento cirúrgico e removeu uma lesão no seu couro cabeludo nesta sexta-feira (24). Tratava-se de um câncer basocelular, tipo menos grave e mais comum de câncer de pele.
De acordo com o médico Roberto Kalil, que acompanha Lula, o câncer era localizado, sem metástase e o procedimento ocorreu sem intercorrência. “O presidente está ótimo, com bom humor, já queria ir para Presidente Prudente na segunda (27), mas recomendei que ele dê um tempo até a cicatrização [da cirurgia feita para a retirada da lesão]”, disse.
De acordo com a agenda presidencial, em Presidente Prudente, Lula visitaria e inauguraria um centro de radioterapia do hospital regional da cidade, com anúncios de serviços de radioterapia no SUS e entrega de ambulâncias do Samu.
A equipe médica aguarda o resultado da biópsia da lesão e afirmou em nota que Lula deve voltar às atividades habituais já na segunda-feira.
O presidente também realizou uma intervenção para infiltração na região do punho, por causa de dores no polegar direito. Os procedimentos ocorreram no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde Lula costuma ser atendido.
O carcinoma basocelular, tipo retirado pelo presidente, é o menos grave e mais comum tipo de câncer de pele. Ele surge em áreas expostas ao sol, como cabeça e pescoço, na forma de pápulas peroladas ou feridas que não cicatrizam.
De acordo com a dermatologista Carla Genevcius, esse tipo de câncer de pele oferece baixo risco de metástase. “Tem uma agressividade local, porém baixa.”
A dermatologista explica que esse tipo de câncer surge a partir da exposição prolongada ao sol, que aos poucos condiciona uma mudança no padrão celular da pele.
“O sol tem um efeito cumulativo, ou seja, a quantidade [de sol] que tomamos desde a infância vai se acumulando no que diz respeito aos danos à pele. Esses danos causam mutações no DNA da célula e favorecem o surgimento de oncogenes [que levam a tumores], na medida em que atrapalham os genes de supressão tumoral.”
A médica destaca que esse processo é lento e geralmente culmina com o aparecimento de lesões na fase idosa do paciente.
A lesão costuma se manifestar como uma ferida que não cicatriza, uma mancha avermelhada ou uma pequena elevação brilhante na pele, podendo crescer com o tempo.
Quanto à infiltração no punho, trata-se de um procedimento utilizado para aliviar dor e inflamação em casos como a tendinite. A técnica consiste na aplicação de uma injeção, geralmente contendo corticoides, na região afetada.
A infiltração é indicada quando o tratamento convencional —que prevê repouso, fisioterapia e uso de outros medicamentos— não apresenta resposta adequada. A infiltração reduz a dor de imediato, permitindo a continuação da reabilitação com maior mobilidade.
Segundo o ortopedista José Zabeu, do Hospital Vera Cruz, as infiltrações são utilizadas no tratamento de estruturas musculoesqueléticas, como tendões e articulações. “As mais comuns são as articulares, em que se infiltram anti-inflamatórios, corticoides e ácido hialurônico”, diz.
Nos tendões, afirma o médico, é comum infiltrar anti-inflamatórios ao redor para reduzir o inchaço. “No caso de Lula, parece ser uma inflamação ao redor do tendão, que às vezes fica mais dolorida. Quando você injeta um líquido à base de corticoide, você desinflama, e o tendão melhora”, explica Zabeu.
Lula não terá que ficar em repouso nem cumprir restrições por conta dos procedimentos. Segundo a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), o presidente deve ficar na capital paulista até sábado (25). Estava programada ida a Andradina para entregas e inaugurações.























