
Dois descarrilamentos em menos de um mês e ao menos 18 casos desde 2020 expõem falhas na rede de trens da Grande SP
A série recente de descarrilamentos na rede de trens da Grande São Paulo voltou a provocar transtornos aos passageiros após um novo acidente na Linha 9-Esmeralda, administrada pela ViaMobilidade. O caso ocorreu na noite de domingo (26), na região da Berrini, e afetou a operação por mais de sete horas.
Por causa da demora para a retirada do trem e a normalização do sistema, a manhã desta segunda (27) começou com circulação em via única entre as estações Granja Julieta e Pinheiros, o que provocou atrasos e lotação.
Esse foi o segundo incidente na Linha 9 em menos de 30 dias. O anterior, um desalinhamento, ocorreu em 31 de março, nas proximidades da estação Varginha. Em nenhum dos casos houve feridos.
Levantamento do SP2, da TV Globo, aponta que, desde 2020, ao menos 18 descarrilamentos foram registrados em linhas de trens de passageiros na região metropolitana (leia mais abaixo).
Descarrilamento de trem da ViaMobilidade.
Reprodução/TV Globo
O trem que descarrilou foi levado ao pátio de Presidente Altino, em Osasco, onde passa por análise. Segundo a concessionária, o tempo para liberação da via envolveu procedimentos técnicos e de segurança.
O diretor das linhas 8 e 9 da ViaMobilidade, André Costa, afirmou que foi necessário recompor a via e verificar os sistemas antes de retomar a operação.
“É um processo que demanda técnica e segurança. Trabalhamos com duas equipes, mais de 30 pessoas em dois turnos, não só para o encarrilhamento do trem, mas para recomposição da via permanente e checagem dos sistemas de sinalização”, disse.
Descarrilamentos
Segundo a TV Globo, a maioria dos 18 descarrilamentos registrados em linhas de trens de passageiros na região metropolitana ocorreu em linhas operadas pela iniciativa privada:
Linha 8-Diamante (ViaMobilidade): 9 casos
Linha 9-Esmeralda (ViaMobilidade): 4 casos
Linha 7-Rubi (CPTM): 2 casos
Linha 11-Coral (CPTM): 1 caso
Linha 5-Lilás (ViaMobilidade): 1 caso
Linha 4-Amarela (ViaQuatro): 1 caso
Especialistas alertam que esse tipo de ocorrência é considerado grave.
“Esses acidentes não devem ser corriqueiros sob hipótese alguma. O risco tem que ser reduzido ao máximo, próximo de zero, e isso só se consegue com manutenção frequente”, afirmou o professor Fernando Cesar Ribeiro, da FEI.
A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) investiga os casos nas linhas concedidas à iniciativa privada. As concessionárias podem ser penalizadas.
“Analisamos tecnicamente as causas e os efeitos. As penalidades vão de R$ 40 mil a R$ 4 milhões, podendo aumentar em caso de reincidência”, explicou o gerente de fiscalização da agência, Fernando Serafim.
Possíveis causas
A ViaMobilidade afirma que os episódios têm origens diferentes e não estão necessariamente relacionados.
Entre os fatores apontados estão:
vandalismo
eventos climáticos extremos
falhas técnicas em equipamentos
problemas na geometria da via
questões operacionais
Segundo a empresa, cada ocorrência é investigada e gera ajustes nos planos de manutenção.
O que dizem as companhias
Segundo a CPTM, todos os episódios ocorreram sem passageiros a bordo — em manobras ou deslocamentos operacionais.
A CPTM citou, por exemplo, um caso em 2025 na Linha 7-Rubi, quando um deslizamento de terra atingiu um trem vazio.
Já as concessionárias das linhas 4-Amarela e 5-Lilás afirmaram que tiveram apenas um descarrilamento cada, ambos pontuais, sem feridos e sem impacto à segurança dos passageiros.
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