A Samsung Electronics alcançou um valor de mercado de US$ 1 trilhão depois que as ações da maior fabricante de memórias do mundo mais do que quadruplicaram no último ano, impulsionadas pela forte demanda por chips usados em inteligência artificial.
O marco foi atingido quando os papéis da empresa sul-coreana chegaram a subir até 12% no início do pregão de quarta-feira, tornando-a apenas a segunda companhia asiática, após a TSMC, a alcançar esse nível. Os ganhos levaram o índice Kospi a ultrapassar os 7.000 pontos pela primeira vez.
A Samsung, ao lado da SK Hynix e da TSMC, está no centro de uma transformação que tornou a Ásia peça-chave do ecossistema global de IA, combinando liderança na fabricação de chips com a expansão da infraestrutura de dados. Essa mudança impulsionou uma forte alta das ações de tecnologia na região — SK Hynix e TSMC também atingiram máximas históricas neste mês — à medida que investidores apostam em demanda sustentada por chips avançados e capacidade computacional.
“O patamar de US$ 1 trilhão tem um peso material além do simbolismo”, disse Dave Mazza, CEO da Roundhill Investments, em Nova York. “De forma mais ampla, reflete o entendimento do mercado de que o papel das memórias na infraestrutura de IA é estrutural, não cíclico.”
Há poucos dias, a divisão de semicondutores da Samsung registrou lucro histórico no trimestre encerrado em março, superando expectativas com um salto de 48 vezes, à medida que pedidos de data centers de IA garantiram margens robustas. Analistas esperam que a divisão amplie esse desempenho nos próximos trimestres, com os preços de contratos seguindo em forte alta diante da oferta limitada.
Enquanto isso, a Apple manteve discussões exploratórias sobre o uso da Samsung para produzir os principais processadores de seus dispositivos nos Estados Unidos, movimento que criaria uma alternativa ao parceiro de longa data TSMC.
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“Se os investidores analisarem melhor a Samsung Electronics, acreditamos que concluirão que a oportunidade é atraente mesmo para quem perdeu a alta até agora”, disse Sam Konrad, gestor da Jupiter Asset Management. “O mercado de memória está atualmente com oferta restrita, e a Samsung afirmou que 2027 terá um equilíbrio ainda mais apertado entre oferta e demanda do que 2026, o que deve sustentar a alta dos preços de NAND e DRAM.”
Investidores estrangeiros provavelmente estão por trás da recente valorização, com a mídia local citando um acordo entre a Interactive Brokers e a Samsung Securities que permite a investidores dos EUA acesso direto à compra de ações coreanas. Investidores globais adicionaram cerca de 2,9 trilhões de won (US$ 2 bilhões) em ações do Kospi na segunda-feira e retomaram as compras líquidas após um feriado.
Ainda assim, a Samsung enfrenta desafios. O crescimento dos lucros na unidade de chips contrasta com quedas nas divisões de celulares e displays, pressionadas pela alta nos custos de materiais e componentes. Os ganhos impulsionados pela IA também levaram funcionários a exigir maior participação, com ameaça de uma greve geral de 18 dias ainda este mês.
Mesmo assim, espera-se que as ações subam cerca de 30% nos próximos 12 meses, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg. Atualmente, os papéis são negociados a 5,9 vezes o lucro projetado para um ano, abaixo das 14,4 vezes registradas em outubro.
A forte valorização das ações da Samsung e da SK Hynix — que juntas representam mais de 43% do índice Kospi — ajudou a transformar a Coreia do Sul em um dos mercados mais aquecidos do mundo. O índice subiu até 5,8% na quarta-feira, e a alta nos futuros levou a bolsa a suspender compras automatizadas.
A dupla sul-coreana também contribuiu para levar o principal índice de ações da Ásia a máximas históricas. Com o avanço dos investimentos em IA, investidores defendem que o mercado de memórias vive um “superciclo” de demanda, rompendo um padrão de décadas de expansão e contração.
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“Os lucros corporativos, de forma agregada, continuam se fortalecendo e vêm principalmente de um único lugar — o setor de tecnologia”, disse Mark Davids, chefe de ações de mercados emergentes e Ásia-Pacífico na JPMorgan Asset Management. Segundo ele, os resultados da Samsung refletem “um período muito incomum em que essas empresas conseguem gerar lucros extraordinários”.
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