Técnico do Palmeiras, Abel Ferreira deu uma longa resposta, em coletiva após a vitória sobre o Sporting Cristal na CONMEBOL Libertadores, após ser questionado sobre o que falta para a sua equipe “convencer os críticos”.
E o comandante português rebateu com uma outra pergunta, questionando qual clube no Brasil, hoje, em meio ao calendário apertado, é mais consistente que o Palmeiras.
Na resposta, Abel citou inclusive Luis Enrique, técnico do PSG, que recentemente, também em coletiva, falou sobre as opiniões no geral.
“Acho que você como da imprensa deveria saber mais que eu. Gostaria que me disesse qual equipe joga bem e de forma consistente no Brasil com esse calendário que nós temos. Se vocês me disserem, porque são vocês da imprensa que falam. Vocês viram quantos torcedores tinham no último jogo em casa? Viram? Não viram um estádio vazio. Eu já falei aos nossos torcedores o que de modo geral podemos contar por parte da imprensa. Eu quero que vocês me digam quem de modo geral está jogando de forma consistente. O São Paulo? O Corinthians? O Santos? O Cruzeiro? O Flamengo? Ou nós olhamos para o momento? Eu não faço avaliações pelo momento”, disse.
“Senão eu tenho que concordar com o que o Luis Enrique disse sobre opiniões. Há muitas opiniões e depois há opiniões de… Sabe o que ele disse? Eu costumo dizer aqui e o Luis Enrique tem razão, o treinador do Paris Saint-Germain. Há muitas opiniões. O que nós vamos continuar fazendo, como sempre fizemos, porque a torcida conhece o treinador, falar de consistência, de trabalho e contexto. Nós não podemos criar frangos e querer comer picanha. Quantas vezes o senhor (repórter) me fez essa pergunta, criada através da sua opinião? Quantas vezes o treinador do Palmeiras já falou sobre querem bons espetáculos, querem dinâmica, querem criatividade. O que o treinador do Palmeiras respondeu? Não é só calendário”, prosseguiu.
“É calendário, gramado, tempo pra treinar e melhorar a equipe. Se me disser uma equipe que é consistente e que joga melhor no Brasil, prometo que vou, mesmo tendo pouco tempo, assistir os últimos quatro ou cinco jogos pra ver como essa equipe está jogando, pra ver quem no Brasil tem consistência. O resto, há coisas que não posso mudar, vou continuar a trabalhar juntamente com a direção, para que a direção crie condições pra que possamos treinar, possamos ter tempo pra recuperar os jogadores. Há quatro jogos seguidos que jogamos de dois em dois dias. Agora, posso lhe dizer uma coisa. Que nossa equipe é consistente, sim. Que nossa equipe foi a 13 finais, foi. Que nossa equipe é competitiva, sim. Que nossa equipe entrega tudo o que tem a todo momento, sim, como foi hoje. O resto eu tenho que concordar com o Luis Enrique. Tem opiniões boas, sabemos que podemos fazer o melhor, mas temos que olhar pro contexto, mas depois tem as opiniões, que não quero dizer o nome que ele utilizou, mas têm muitas dessas. O que eu quero ver é o estádio do Palmeiras cheio, com o torcedor apoiando a equipe como foi contra o Santos. Sobre a imprensa, essa aí eu não vou controlar, porque também os conheço.”
Em uma outra resposta, ao ser questionado sobre a recuperação de Vitor Roque, que sofreu recentemente uma lesão, Abel voltou a desabafar sobre o calendário do futebol brasileiro.
“Será que alguém se perguntou por que teve tantas lesões nos últimos meses? Será que nós estamos produzindo o verdadeiro produto, o verdadeiro protagonista, que são os jogadores? Será que essa quantidade de lesões que temos não é pelo abuso e exploração da quantidade de jogos que eles têm que fazer? Será que os jogadores que estão com expectativa de ir pra Copa do Mundo estão com receiro de lesionar? Será que quem organiza as competições não pensa nisso? Eu não estou pedindo uma semana pra treinar. Desde que eu cheguei no Brasil falo a mesma coisa. No mínimo, três dias e jogar no quarto. Eu desafio vocês, que são da imprensa, olhar para o calendário do Palmeiras e das outras equipes… Quem ganha no calendário ganha o Brasileirão. A nossa direção não quis falar, mas eu falo”, disse.
“Nós pedimos para antecipar o jogo do Bragantino e da Copa (do Brasil) e foi nos negado. Nós estamos vindo com dois blocos de quatro jogos seguidos, de dois em dois dias. Eu faço a pergunta para a mídia, que critica o Palmeiras. E reconheço que nós vamos jogar mal. Mas vai jogar o Palmeiras, o Cruzeiro, o Flamengo, principalmente no segundo semestre, quando começa a faltar energia. Depois vão falar do desgaste, mas eu falo isso desde sempre. Cabe a nós escolher as narrativas que queremos passar. Eu já falei, as narrativas enganam quem quer. Espero que os torcedores do Palmeiras sejam inteligentes pra perceberem isso. Não vamos jogar bem sempre. Quando estamos cansados e principalmente mentalmente, ninguém fala isso, mentalmente, pressão de ter que ganhar, viajar, jogar aqui contra o líder do grupo, e nossa equipe dá uma resposta de uma equipe consistente, madura, bem treinada”, continuou.
“Os críticos… São cinco anos aqui, tenho os mesmos direitos de qualquer brasileiro, tenho os mesmos direitos de criticar como qualquer brasileiro. Tenho cinco anos de Brasil. O Liedson, com cinco anos, quando era meu colega no Sporting, era da seleção portuguesa. Eu tenho legitimidade para falar o que eu quiser, quando eu quiser e da forma que eu quiser. Sabíamos que o Sporting Cristal tinha a vantagem de jogar em casa, com uma semana inteira para se preparar. O Palmeiras há três dias ou dois dias estava jogando em casa um clássico contra o Santos, e o Santos fez uma partida espetacular, dura, agressiva, com mais um dia de recuperação, que é uma coisa que ninguém fala.”
“Contem quantas vezes o Palmeiras foi jogar contra o adversário com um dia a mais de preparação. Sabem por que eu gosto muito do Palmeiras? Porque aqui é um grupo solidário, não pensa no umbigo dele, pensa no que é melhor pro futebol brasileiro. E eu penso a mesma coisa. Eu só peço que seja igual pra todos. Dar os parabéns aos meus jogadores pelo esforço, porque sabíamos da importância desse jogo, fizemos um jogo consistente, em um gramado… Queremos um futebol intenso, propositivo, mas com esse gramado? (risos) E para terminar digo para os inteligentes do futebol. O futebol é dividido em seis partes, organização ofensiva, organização defensiva, transição ofensiva, transição defensiva, e bolas paradas ofensivas e defensivas. O Palmeiras não é bom em nada, mas é competente em todas elas.”
Em Lima, o Palmeiras abriu o placar no fim do primeiro tempo, com Flaco López, e definiu o resultado no começo do segundo, com Ramón Sosa. Com o resultado, o Verdão foi à liderança do grupo F, abrindo dois pontos de vantagem sobre os peruanos, que caíram para a vice-liderança.
