O Instituto Sou da Paz lançou a campanha 'Vote pela Paz' e a agenda eleitoral 'Brasil em Ação pela Paz – Propostas para uma Segurança Pública de Verdade'. A iniciativa busca qualificar o debate eleitoral, pressionando candidaturas a apresentarem planos consistentes e compromissos reais para a redução da violência no país, opondo-se a abordagens baseadas no improviso e no populismo. Carolina Ricardo, diretora-executiva do instituto, ressalta que a população está cansada de frases de efeito e deseja resultados concretos e proteção.
Diagnóstico da Violência e Propostas Estratégicas
Apesar de algumas melhorias em indicadores como a queda de homicídios, o Brasil ainda registra mais de 44 mil mortes violentas por ano. Desafios como a expansão do crime organizado, o aumento de fraudes e extorsões digitais, o medo de roubos, especialmente de celulares, e a crescente violência contra meninas e mulheres persistem. Para enfrentar essa realidade, a agenda do Sou da Paz organiza ações aplicáveis nos âmbitos estadual e federal, focando em cinco eixos prioritários: proteção de meninas e mulheres; fortalecimento das polícias; enfrentamento ao crime organizado; redução dos roubos; e retirada de armas ilegais de circulação. As propostas enfatizam a valorização dos profissionais de segurança, o fortalecimento da investigação criminal, o uso responsável de tecnologia, a integração entre instituições e o combate ao tráfico de armas.
Percepção Pública e Soluções Inteligentes
Uma pesquisa do Sou da Paz revela que 94% da população percebe algum nível de violência em sua cidade, com mais da metade (53%) evitando sair à noite e um terço (31%) abstendo-se do uso de celular na rua por segurança. Carolina Ricardo afirma que a sociedade busca 'firmeza que funcione', com a maioria favorável a soluções inteligentes, tecnologia, investigação e profissionalização policial. A pesquisa também aponta que 82% das pessoas consideram as câmeras corporais protetoras para bons policiais e eficazes na produção de provas; 73% creem que mais armas significam mais mortes e violência; e 65% defendem uma polícia melhor preparada, não apenas em maior número.
Combate ao Crime Organizado: Foco Ampliado
O Instituto Sou da Paz destaca a necessidade de expandir a compreensão sobre o crime organizado, que vai além do tráfico de drogas, englobando investigações financeiras e o combate à lavagem de dinheiro. Nos últimos três anos, o crime organizado movimentou mais de R$ 350 bilhões em atividades como venda de combustíveis, garimpo ilegal e contrabando de cigarros e bebidas alcoólicas, impactando significativamente a economia ilícita.
Impacto na Democracia e Estratégias de Ação
Além de afetar territórios, o crime organizado compromete o Estado Democrático de Direito ao se infiltrar na administração pública e na política. Esse fenômeno contribuiu para um aumento de 335% nos casos de violência política no Brasil nos últimos três anos, com 45 homicídios registrados apenas nos primeiros meses de 2022. Para conter essa ameaça, a agenda propõe o fortalecimento da integração e cooperação entre instituições como Receita Federal, Polícia Federal, Banco Central e Ministério Público, incluindo parcerias internacionais, visando estratégias conjuntas contra a lavagem de dinheiro e os diversos mercados ilícitos. Adicionalmente, sugere-se o reordenamento da ação policial, priorizando investigações, investimento em inteligência e fortalecimento de perícias para descapitalizar as organizações em suas bases financeiras e de comando. Operações de incursão territorial devem ser consideradas excepcionais, somente se houver condições de segurança reais para a população e os policiais.


