O ciclo de Casemiro no Manchester United acabou. O jogador, que já havia anunciado a saída do clube ao fim desta temporada, reiterou, em entrevista exclusiva à ESPN, que não há chance de permanecer na equipe, apesar dos inúmeros pedidos de “fico”. A ideia do volante é sair pela porta da frente e partir para um novo desafio.

“Acho que não tem chance, não tem chance [de ficar mais um ano]. É sair pela porta grande. Foram quatro anos lindos, maravilhosos, e sou um eternamente agradecido não só pelo clube, mas pelos fãs. Acho que, se tem uma das coisas que eu mais vou levar com carinho desses meus quatro anos aqui, são os fãs comigo. Mas, não, acho que já terminou. Terminou aqui o ciclo”, disse.

“Vou para um novo ciclo da minha carreira. Ainda tenho que decidir para onde irei. Mas acho que tenho que sair bem, tem que sair por cima. Serei um eterno torcedor do United aqui na Inglaterra e só tenho a agradecer mesmo todo o carinho dos fãs”, completou.

Casemiro chegou ao Manchester United em 2022. O contrato acaba no fim de junho. O atleta, de 34 anos, conquistou a Copa da Liga Inglesa (2022/23) e a Copa da Inglaterra (2023/24) pelos Red Devils.

A última temporada pelo clube inglês se tornou justamente a mais artilheira da carreira. O volante já balançou as redes nove vezes. Faltam mais três rodadas de Premier League para a despedida, antes de pensar nos próximos passos.

“A prioridade é conversar com a minha família e ver o que eles querem. Quando eu falei de vir para o Manchester United, eles foram os primeiros a me apoiarem. A minha família toda foi a primeira a me apoiar, então, apesar de eles sempre falarem que me acompanham e que vamos ser felizes onde for, preciso conversar com eles”, afirmou.

“Preciso pensar junto com eles, porque a tomada de decisão agora é muito importante. Ainda tenho que analisar as coisas. Graças a Deus as coisas estão acontecendo muito bem e está sendo um fim de temporada muito bom para mim, uma temporada muito boa para mim. Mas preciso conversar com eles ainda”, acrescentou.

Se a decisão sobre o futuro não é fácil, a despedida também não é. E Casemiro sabe bem disso. Quando foi para o United, o brasileiro também deixou uma grande história no Real Madrid, com cinco títulos de Champions League, para trilhar um caminho diferente.

“Na Espanha, eles têm um ditado que é ‘sair pela porta grande’. E essa sempre foi uma das coisas mais legais que eu tentei transmitir pelos clubes que eu passei. Está sendo bem legal, bem emocionante. Cada jogo que vai aproximando, vai dando aquele aperto no coração, aquela emoção. Mas está sendo bonito. Todos os jogos, os treinamentos também, o dia a dia. Acho que está sendo uma história bem bonita, principalmente esse fim”, refletiu o jogador.

“[Criar conexão com a torcida] É um dos objetivos quando você chega em um clube tão grande. Claro que, no fim, a gente imagina uma coisa e as coisas vão acontecendo. Mas está sendo até perfeito demais essa saída. Estou desfrutando, estou desfrutando muito e sou eternamente agradecido pelo que eu vivi aqui e pelo que eu estou vivendo em um clube tão grande como o United”.

Volta por cima

A passagem de Casemiro pelo Manchester United não foi só de altos. Também houve os momentos de baixa. Mas o brasileiro conseguiu superar as adversidades, ganhar seu espaço e mostrar por que mereceu a confiança dos torcedores. O volante chegou a ser reserva no começo de 2025, com o técnico Ruben Amorim, e deu a volta por cima, conquistando o treinador.

“Pode ter sido uma das minhas maiores conquistas porque, com toda a humildade do mundo, o mais normal seria falar: ‘Pô, o treinador não está me usando? Não tem problema, já conquistei bastantes títulos na minha carreira, já conquistei muitas coisas na minha vida e estou aqui, o treinador não quer contar comigo, deixa ele para lá e fico aqui na minha’. Mas não. Eu continuei trabalhando, continuei tentando demonstrar para o treinador que ele estava errado, que estava equivocado comigo”, explicou.

“Poderia, como nós falamos no mundo do futebol, ter largado mão, vida que segue e pronto. Mas segui trabalhando, segui tentando mudar a opinião do treinador, e acabei conseguindo, terminei jogando e tendo um grande fim de temporada, jogando uma final de Europa League. Apesar de ter tido várias conquistas na minha carreira, mas pode ter sido uma das grandes conquistas que eu tive: ter revertido essa opinião do treinador. Eu não jogava por questão de opinião do treinador. E ele acabou me colocando para jogar pelo mérito e trabalho totalmente meus”.

Raça até o fim

Casemiro, mesmo já tendo anunciado a saída do Manchester United e com mais uma Copa do Mundo à vista, não deixa de disputar nenhum lance pelo clube inglês. A vontade para continuar jogando impressiona.

“Eu sempre fui assim, e acho que sempre vou ser assim. Seja um minuto, seja 90 minutos, todos os dias que eu vou dormir, eu coloco lá a cabecinha no travesseiro e é isso: ter feito o melhor, ter entregado tudo para a equipe, para os meus companheiros. A gente sabe que eu vou embora, a gente sabe que existe um torneio muito importante, que é a Copa do Mundo, mas esse sou eu: dar tudo dentro de campo, até quando eu não posso mais, entregar tudo de corpo e alma”, contou.

A recompensa do trabalho também tem vindo em forma de gols — muitos deles de cabeça.

“Meu filho pergunta: ‘Papai, vai fazer gol hoje?’ Eu falo que eu sou volante defensivo. E uma das coisas legais que eu gosto de comentar é que primeiro é o trabalho defensivo, ajudar os centrais, ajudar os laterais, ajudar os meio-campistas. Claro que, se puder fazer um golzinho, é um plus. Mas, sem dúvida, primeiro o trabalho defensivo tem que ser bem feito, dar equilíbrio para a equipe. E esse é o grande mérito que eu gosto de ter e sempre gosto de falar. Acho que fazer os gols lá na frente é bom, mas eu não me importo com gols e pensar em fazer gol. Acho que primeiro é o trabalho defensivo para ajudar a equipe”, comentou.

“É mérito de todos (os gols de cabeça). Do bloqueio dos meus companheiros, o Bruno [Fernandes] cruzando bem, sempre tem um chute na bola muito bom, os que ajudam a abrir o espaço. Eu sempre falo que no futebol a gente só vê a cereja do bolo, quem marca, o goleiro que defende, mas, no ataque, o jogo começa a ser construído com o goleiro. Na defesa, a defesa começa a ser defendida com o número 9 lá na frente. É um trabalho de equipe. Apesar de ser eu que estou fazendo os gols, aqui é total mérito da equipe”, finalizou.

Próximos jogos do Manchester United:


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