O renomado cantor e compositor Alceu Valença celebra suas oito décadas de vida com a grandiosa turnê “80 Girassóis”, que terá sua estreia no próximo sábado, 14 de outubro, no Rio de Janeiro. A celebração musical, que conta com o patrocínio master do Banco do Brasil, percorrerá diversas capitais brasileiras, incluindo São Paulo, Salvador, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Recife, Fortaleza, Belém e Belo Horizonte, estendendo-se até junho, período que antecede o aniversário de 80 anos do artista, em 1º de julho.
Os Bastidores e a Abertura da Turnê
Alceu Valença expressou entusiasmo pela empreitada, destacando o planejamento minucioso: “Esta turnê vai ser uma maravilha. Está sendo muito bem projetada pela minha esposa, Yanê Montenegro, e Júlio Moura. Contamos com sócios em vários estados para viabilizar esta turnê”. O show inaugural acontecerá na Farmasi Arena, localizada na Zona Sudoeste da capital fluminense. No palco, Alceu será acompanhado por músicos de talento como Tovinho (teclados e direção musical), Cássio Cunha (bateria), Zi Ferreira (guitarra), Nando Barreto (baixo), André Julião (sanfona), Costinha (flautas), além da participação especial de Lui Coimbra (violas e violoncelo) e Natalia Mitre (percussão).
Experiência Multissensorial e Reflexões Sobre o Tempo
O artista revelou que a temporada é fruto de seis meses de intensos ensaios, meticulosamente gravados em áudio e vídeo. Um dos grandes destaques da turnê serão as projeções visuais, elaboradas por Rafael Todeschini com a participação de Yanê Montenegro. “Esse show tem umas projeções incríveis. Projeções simplesmente maravilhosas, e, dentro desse acervo meu, até minha mãe e meu pai vão aparecer”, conta Alceu, prometendo uma imersão visual e afetiva.
Questionado sobre a ação do tempo em sua vida, Alceu reflete sobre sua experiência em São Bento do Una e sua percepção do presente, passado e futuro, que ele intitula de “Embolada do Tempo”, uma de suas composições. Ele declama trechos da letra, que poeticamente abordam a natureza enigmática da temporalidade: “O tempo em si/ Não tem fim/ Não tem começo/ Mesmo pensado ao avesso/ Não se pode mensurar”, e continua: “Buraco negro/ A existência do nada/ Noves fora, nada, nada/ Por isso nos causa medo”, concluindo com “Tempo é segredo/ Senhor de rugas e marcas/ E das horas abstratas/ Quando paro pra pensar”.
As Múltiplas Facetas do Artista: Cinema e Artes Plásticas
A turnê “80 Girassóis” transcende o formato dos shows musicais. Em algumas das cidades visitadas, o público terá a oportunidade de apreciar exposições de artes plásticas e sessões de filmes, revelando a amplitude artística de Alceu Valença. O cantor destaca sua trajetória como cineasta e ator, com participações notáveis em produções como “A Noite do Espantalho”, de Sérgio Ricardo, e “A Luneta do Tempo”.
Alceu menciona a vastidão de seu acervo cinematográfico, composto por filmes realizados em diversos países como França, Alemanha, Suíça, Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil. “Eu sempre gostei da arte de cinema e levava câmeras comigo. Tenho muita coisa. São outras partes do meu trabalho. Não é só a música. É a trajetória”, afirma, evidenciando seu profundo envolvimento com a sétima arte.
A Narrativa Poética do Repertório Musical
A seleção das músicas para a turnê segue um método peculiar definido por Alceu: o encadeamento temático. “É uma narrativa poética”, explica. Ele cita exemplos como “Martelo Agalopado”, que resgata a cultura do cantador do sertão profundo de São Bento do Una, conectando-se naturalmente ao repertório de Luiz Gonzaga. Outra canção evocativa é “Cavalo de Pau”, que remete à sua infância.
O espírito folião de Alceu também marca presença na turnê, remetendo à sua forte ligação com Olinda e suas participações em shows de trios elétricos no Carnaval. Em São Paulo, há mais de uma década, e mais recentemente no Recife, Alceu comanda o aclamado bloco “Bicho Maluco Beleza”, arrastando multidões de até 1 milhão de pessoas.
A turnê também homenageia o “Alceu caminhador”, que tem suas composições influenciadas por viagens e vivências. “Coração Bobo” foi composta em Paris, em um momento de saudade de Jackson do Pandeiro e Geraldo Azevedo. “Pelas Ruas Que Andei” é um tributo às ruas do Recife, enquanto outras canções trazem lembranças de Nova York, apesar de terem sido escritas no Rio de Janeiro, refletindo sua jornada por diferentes paisagens culturais.
A Gênese de 'Anunciação': Um Surto Criativo
Alceu Valença compartilha a inspiração por trás de um de seus maiores sucessos, “Anunciação”, classificando o processo como um “surto criativo”. A canção nasceu enquanto ele caminhava por Olinda, praticando em sua flauta. Ao retornar para casa, uma moça que passava o elogiou, encantada com a melodia. O reconhecimento inesperado solidificou a beleza da composição, que de outra forma poderia ter se perdido, garantindo sua imortalidade.


















