A corrida presidencial entra em uma nova fase a partir desta terça-feira (30). Com a entrada em vigor de restrições previstas no calendário eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os governadores que disputarão a reeleição passam a enfrentar limites legais para usar instrumentos de comunicação do governo, reduzindo uma das principais diferenças entre quem ocupa cargos no Executivo e seus adversários.
As mudanças não impedem os governos de continuar exercendo suas funções nem proíbem a divulgação de atos oficiais. O objetivo da legislação é evitar que a estrutura estatal seja usada para favorecer candidaturas durante o período pré-eleitoral, preservando a igualdade de condições entre os concorrentes.
Um dos principais marcos é o fim do prazo para empenho de despesas com publicidade institucional dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais. Na prática, a partir dessa data, a comunicação oficial passa a ficar sujeita a restrições mais rígidas, reduzindo a capacidade de promover ações de governo em um momento em que a disputa eleitoral ganha intensidade.
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Contexto nacional
Na prática, a mudança aproxima as condições de comunicação entre Lula e o principal nome da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até aqui, o presidente podia contar com a exposição decorrente da agenda oficial de governo, enquanto os pré-candidatos dependiam principalmente de entrevistas, redes sociais, eventos partidários e cobertura da imprensa.
Outro efeito imediato do calendário eleitoral atinge o rádio e a televisão. Também a partir de 30 de junho, pré-candidatos deixam de poder apresentar ou comentar programas nesses veículos de comunicação. A regra busca impedir que potenciais candidatos mantenham exposição permanente em emissoras durante a pré-campanha.
As limitações continuam avançando nos próximos dias. Em 4 de julho, entram em vigor novas vedações para agentes públicos. A legislação passa a proibir a contratação de shows artísticos custeados com recursos públicos em inaugurações de obras e também impede a participação de candidatos nesses eventos, medida destinada a evitar o uso de solenidades oficiais como instrumento de promoção eleitoral.
Embora o calendário imponha restrições sobretudo a quem exerce mandato, especialistas em Direito Eleitoral destacam que ele não elimina todas as vantagens da incumbência.
O presidente continua no centro das decisões políticas e econômicas do país, mas passa a atuar sob regras mais rígidas de comunicação institucional.
A tendência é que, a partir de agora, tanto governo quanto oposição concentrem ainda mais esforços em agendas partidárias, redes sociais, entrevistas e mobilização política.
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Com menos espaço para a publicidade oficial, a disputa pela atenção do eleitor tende a migrar para canais em que Lula e Flávio Bolsonaro competem em condições mais próximas do ponto de vista da comunicação, enquanto aguardam o início oficial da campanha eleitoral, previsto para agosto.



