No segundo lugar do grupo F da CONMEBOL Libertadores com cinco pontos, o Palmeiras visita o Sporting Cristal (PER), nesta terça-feira (5), a partir das 19h (de Brasília), pela quarta rodada da fase de grupos da competição.
Titular absoluto do gol do Palmeiras e um dos principais responsáveis pelo time ter a defesa menos vazada do Campeonato Brasileiro (11 gols em 14 partidas), o goleiro Carlos Miguel concedeu entrevista à ESPN em solo peruano e detalhou como tem sido a temporada até aqui.
“Meu ano tem sido magnífico. A gente começou o ano muito bem. A gente já queria começar ganhando títulos. O Paulistão é muito importante para a gente. Muito importante para a minha carreira e para o clube”, iniciou o goleiro, que revelou que sequer se lembrava que perdeu apenas uma partida com a camisa do Palmeiras em 2025.
“Sobre jogos, eu nem penso muito, eu esqueço que eu perdi uma partida só, fico focado no próximo. É sempre ir em frente. Tem muitas guerras por virem ainda. A gente valoriza não tomar gol. Mas, como goleiro, é ajudar a equipe o mais rápido possível”, disse Carlos Miguel.
Contratado em 2025 pelo Palmeiras, o “gigante” precisou assumir a responsabilidade de substituir ninguém menos do que Weverton, que acumulou oito anos de clube, tornando-se um dos nomes mais vitoriosos da história do Alviverde.
À ESPN, Carlos Miguel rasgou elogios ao antigo companheiro, que hoje está no Grêmio, e contou como foi a “passagem de bastão” na meta do Palmeiras.
“A transição começou ainda no ano passado, inesperadamente, por causa da lesão do Weverton. A gente não esperava”.
“Todos sabem o que ele é para o Palmeiras, para o grupo, como ele foi para mim. Foi sempre muito alegre, gente boa, ajudava em detalhes, ele é muito mais experiente do que eu. Ele comunicou a todos que ia embora, falou com a gente. Os goleiros têm muita união. Foi algo inesperado para todos. Mas, graças a deus, eu consegui contribuí para o clube”.
Após passagens pela base do Flamengo, por clubes como Internacional, Corinthians e Nottingham Forest, da Inglaterra, Carlos Miguel conta que hoje está em uma fase mais “madura” e que tem até mesmo distribuído alguns conselhos aos inúmeros garotos que se destacam no Palmeiras.
“Amadureci bastante. Virei uma pessoa que todos sabiam que eu seria um dia. Amadureci mentalmente, melhorei questões que eu tinha como dificuldade. A gente trabalhou no dia a dia, confiei nos trabalhos dos preparadores. A gente trabalha muito e muito sério. Só agradeço a eles por confiarem em mim. Tudo é possível com trabalho”.
“Eu também sou um cara jovem, tento chegar neles como alguém mais velho, mas alguém que foi ensinado muita coisa em muito pouco tempo. Às vezes eu mostro: escuta, porque você vai lembrar disso no futuro. Você pode se arrepender”, explicou.
“Pude superar as dificuldades, consegui dar a volta por cima. Estou em um clube muito grande. Sempre falo para eles: não precisa ter medo de arriscar, é para mostrar o potencial”.
Todos estes fatores listados contribuem para que Carlos Miguel seja constantemente questionado: e a Copa do Mundo? Tem chance na Seleção? À ESPN, o goleiro admitiu que sabe da dificuldade que tem em conseguir uma vaga no atual ciclo, mas se colocou à disposição de Carlo Ancelotti.
“Nunca falei com ele ainda, mas espero, se Deus quiser, ir à seleção e falar com ele. Ainda não chegou essa ligação. A gente sabe que é bem difícil. Eu não fui nesse ciclo e nem em outro. A gente sabe da dificuldade que é confiar em alguém que nunca foi levado para a Copa do Mundo”, iniciou.
Apesar da expectativa de todos para saber quais serão os nomes a serem chamados por Ancelotti ao Mundial, em convocação que acontecerá no próximo dia 18 de maio, Carlos Miguel deixa claro que não se assusta com pressão e está pronto para o desafio caso seja chamado pelo italiano.
“O pessoal até brinca que não estou nem aí, é que eu não tenho medo, sei o que posso fazer. Se tiver 70, 80, 90 mil ou gente na cerca xingando, para mim é a mesma coisa. Se tiver a oportunidade, vou abraçar da melhor maneira possível”.
“Tenho foco muito grande de chegar à Seleção Brasileira. Se precisar de mim, eu estou aqui da melhor maneira possível e vou poder entregar isso para eles”.
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Pressão por títulos no Palmeiras
“Não é nem a pressão. Mas, se o Palmeiras entra em uma competição, tem que dar o máximo para ganhar o título. Conseguimos fazer isso nesse primeiro semestre. Agora, é batalhar pelo restante. Vamos no passo a passo. Precisamos melhorar em muitos sentidos, mas temos que caminhar para chegar bem no final do ano, com títulos”.
Passagem pela Premier League e principais diferenças em relação ao Brasil
“A principal diferença…não tecnicamente, o que o futebol brasileiro evoluiu em dois anos é absurdo, ainda mais com os grandes investimentos, contratações de grandes nomes, o que potencializa a liga. A Premier League tem poucas faltas, muito embate, muita velocidade, o jogo corre muito mais. Aqui é mais técnico, lá é muito mais contato, o jogo corre muito mais”.
Uso da “cera” como artifício para ganhar tempo
“Não é como cera, é como ajudar o time naquele momento. Às vezes, numa partida, o árbitro marca as faltas no primeiro tempo e passa a não marcar mais no segundo tempo se o time está ganhando. É critério, trabalho deles. O meu é conseguir fazer o time ganhar o jogo. Claro, com respeito. É do jogo. A gente sabe como é no Brasil. Tem a pressão da torcida e o barato não sai caro. Se serve para eles, serve para nós também”.

