
Rogério Andrade e Gilmar Lisboa
JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO e Reprodução
Com as condenações de Pedro Emanuel D’onofre Cordeiro e Otto Samuel D’onofre Cordeiro a mais de 31 anos anos de prisão cada nesta sexta-feira (17), todos os acusados de envolvimento direto na execução do bicheiro Fernando Iggnácio, em 2020, já foram condenados pela Justiça do Rio.
Em abril, o ex-PM Rodrigo Silva das Neves foi condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias pelo mesmo crime.
O bicheiro Rogério Andrade, rival de Fernando Iggnácio e preso em 2024 acusado de ser o mandante do crime, está sendo julgado em um processo separado.
No mesmo processo de Rogério Andrade, está o PM Gilmar Eneas Lisboa, acusado de monitorar os passos de Fernando Iggnácio em Angra dos Reis, de onde ele saiu de helicóptero em 10 de novembro de 2020 para ser assassinado no heliponto no Recreio dos Bandeirantes.
O Ministério Público e as defesas de Rogério e Gilmar já oferecam suas alegações finais. “Agora, tudo está submetido ao juiz para que ele entenda se eles serão também pronunciados e submetidos ao conselho de sentença”, pontuou nesta sexta-feira a promotora Andrea Fava, do Gaeco e do Gaejuri do Ministério Público.
O mesmo acontece com Márcio Araújo de Souza, acusado de ser o contratante dos executores e do homem que fez a vigilância das atividades da vítima em Angra dos Reis.
Ele estava no mesmo processo em que Rodrigo foi condenado, juntamente com Pedro, Otto e Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa.
Apontado como matador de aluguel, Ygor foi encontrado morto em novembro de 2022 no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio.
Ygor Farofa (E), o ex-PM Pedro Cordeiro (C), ao lado do PM Rodrigo das Neves (de boné); Otto Cordeiro, irmão de Pedro, aparece mais afastado
Reprodução
Pela demora de sua defesa em se manifestar, o processo de Márcio Araújo foi desmembrado. Márcio foi pronunciado pela juíza Alessandra Roidis em outubro de 2025, que determinou que ele fosse levado a júri popular.
A defesa do PM recorreu da decisão e ofereceu embargos de declaração. Ainda não há data para o júri acontecer.
Entenda as acusações contra cada um deles:
Rogério Andrade
Rogério de Andrade, maior bicheiro do Rio, é preso na manhã desta terça-feira, 29, no Rio de Janeiro
JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
Segundo a denúncia do Ministério Público, Rogério Andrade teria dado a ordem para o crime a Márcio Araújo de Souza, seu chefe de segurança e pessoa de extrema confiança.
Rogério foi preso em outubro de 2024 , após o Ministério Público obter mais provas de seu envolvimento no crime e ordens diretas em um aplicativo de mensagens criptografadas para matar Fernando Iggnácio, a quem chamava de “Cabeludo”.
Rogério Andrade é levado para o Aeroporto Galeão algemado
Reprodução
O bicheiro preso foi transferido em novembro para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
Mesmo após pedidos de sua defesa, o STF negou a liberdade de Andrade, que segue preso e responde a um processo separado, onde chegou a acompanhar por videoconferência uma das audiências.
Bicheiro Rogério Andrade é preso no Rio
Márcio Araújo de Souza
Márcio Araújo de Souza é apontado como segurança do bicheiro Rogério Andrade
Reprodução
Márcio, acusado de ser o chefe de segurança de Rogério Andrade, teria sido o responsável por contratar e coordenar os executores diretos do crime, segundo o Ministério Público.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, Márcio se comunicava com Rogério no aplicativo de mensagens Wickr, que utiliza mensagens criptografadas, e passava instruções sobre a vigilância da vítima e da execução.
Ele se entregou à polícia em fevereiro de 2021. Depois, deixou a cadeia por decisão do Supremo Tribunal Federal e foi reconduzido à Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Márcio seria julgado junto com Pedro, Otto e Rodrigo. No entanto, o caso dele foi desmembrado.
Captura de tela mostra conversa de Rogério Andrade com o policial militar Márcio Araújo usando codinomes
Reprodução
Em 2023, ele foi alvo de um suposto atentado, mas sobreviveu. O crime nunca foi solucionado.
Ele responde em liberdade e foi obrigado a utilizar uma tornozeleira eletrônica, e também foi proibido de deixar o país.
Gilmar Eneas Lisboa
Gilmar Eneas Lisboa, preso por suspeita de monitorar Fernando Ignnácio
Reprodução
Gilmar Eneas Lisboa, ex-PM, também foi preso por monitorar os passos da vítima. Os trabalhos de vigilância começaram pelo menos 8 meses antes do crime, segundo o Ministério Público.
O ex-policial enviou vídeos da casa de veraneio de Iggnácio na Ponta da Raposinha, em Ilha Grande, na Costa Verde do Estado.
Homem que monitorou Fernando Ignnácio mandou fotos do terreno da casa do contraventor, executado em novembro de 2020
Reprodução
Nos contatos de Márcio Araújo, Lisboa era identificado pelo codinome “Tribidi”. Ele deu detalhes de como era a residência e o terreno onde ficava a casa da família de Fernando Iggnácio.
O codinome da vítima, Fernando Iggnácio, é o mesmo utilizado por Rogério Andrade, em mensagens criptografadas para Márcio Araújo: “Cabeludo”.
“O cais de ferro na cor verde fica nos fundos da casa do cabeludo”, escreveu, segundo as investigações.
Gilmar responde no mesmo processo em que Rogério Andrade é acusado da morte de Fernando Iggnácio.



