João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, negou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado qualquer associação de sua gestora de fundos com a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O empresário destacou que o inquérito "Carbono Oculto" da Polícia Federal (PF) não menciona vínculos com a facção criminosa.
Múltiplas Operações Miram a Reag Investimentos
A Reag é investigada em diversas frentes: a Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro para facções; a Compliance Zero, focada nas fraudes do Banco Master; e a Quasar, também ligada à lavagem de dinheiro por organizações criminosas. Em janeiro, o Banco Central (BC) liquidou a Reag por supostos vínculos com as fraudes do Banco Master, estimadas em até R$ 50 bilhões, sob suspeita de criação de empresas de fachada. A gestora administrava 700 fundos que somavam R$ 300 bilhões.
Mansur Defende Governança da Gestora Financeira
Embora inicialmente tenha exercido o direito de permanecer em silêncio, Mansur fez comentários em resposta a apelos do presidente da CPI. Ele argumentou que a Reag sempre foi auditada por empresas internacionais e mantinha rigorosas estruturas de governança, comparáveis a empresas de capital aberto. O empresário declarou que a companhia nunca foi "empresa de fachada" e não possuía "investidores ocultos", sendo um partnership com múltiplos sócios. Ele admitiu que o Banco Master era um cliente da Reag e sugeriu que a empresa foi "penalizada por ser grande e independente".
Desdobramentos da CPI e a Rede Financeira do Crime
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), questionou por que a Reag foi alvo das operações da PF, mas Mansur optou por não opinar. No mesmo dia, a comissão aprovou mais de 20 requerimentos para quebras de sigilos, pedidos de informações e convocações, direcionados ao braço financeiro do PCC na Faria Lima e ao grupo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Contarato justificou que 42 dos 350 alvos da Operação Carbono Oculto têm escritórios na Avenida Faria Lima, indicando uma "verdadeira indústria de lavagem de dinheiro" no coração do sistema financeiro nacional. Ele acrescentou que fundos da Reag teriam movimentado R$ 250 milhões do PCC e que o Banco Central reportou a ocultação de beneficiários de R$ 11 bilhões desviados do mercado financeiro nacional pela companhia.
Lamento do Relator sobre o Silêncio
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), expressou sua frustração com a recusa de Mansur em responder perguntas da comissão, considerando que muitas delas não seriam, a princípio, autoincriminatórias.


















