Convocados pelo deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG), apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) se reuniram na avenida Paulista, na tarde deste domingo (1º), para protestar contra o presidente Lula (PT) e os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A manifestação, porém, teve forte tom eleitoral em apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
A manifestação, com o mote “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, em referência aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, implicado no caso do Banco Master, também defendeu a liberdade do ex-presidente, além da anistia aos presos pelos ataques às sedes dos Poderes no 8 de janeiro de 2023.
O ato estava marcado para as 14h, mas atrasou devido à ausência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. O presidenciável chegou ao local usando colete à prova de balas e foi recebido com gritos de apoiadores, para os quais fez acenos do alto do carro de som.
“Estamos aqui lutando por um Brasil que estava indo bem com o presidente Bolsonaro, teve esse estanque no meio do caminho. Vamos voltar para o caminho da prosperidade para onde o Bolsonaro estava nos levando. A gente não vai permitir que o Lula jogue o Brasil do precipício como ele vai fazer… não vai de jeito nenhum. Vamos ganhar isso aí”, disse a jornalistas.
Em seu discurso, Flávio voltou a mirar o presidente da República, que deve ser seu principal adversário nas eleições de outubro. Ele disse que Lula esbanja vida de luxo junto de Janja e que apresentou gastos bilionários no cartão corporativo. “Esse é o Lula que defende os pobres”, declarou.
Flávio criticou ainda Lulinha, filho do presidente, que teve a quebra do sigilo bancário aprovada pela CPMI do INSS na última semana.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que é cotado para ser o adversário de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo de São Paulo, também entrou na mira do senador. No discurso, Flávio chamou o ministro de “Taxad” e pediu “volta, Paulo Guedes”, em referência ao ministro da Economia do governo Bolsonaro.
Sem citar nominalmente nenhum ministro, Flávio disse ser favorável ao impeachment “de qualquer ministro do Supremo que descumprir a lei”.
“Nosso alvo nunca foi o Supremo, que é fundamental para a democracia, mas estão destruindo a democracia”, disse ele, acrescentando ser necessário formar maioria no Senado para conseguir o impeachment de ministros do STF.
Ao mesmo tempo, ele buscou sinalizar união na direita ao fazer um elogio direto a Nikolas, que havia sido criticado por Eduardo por supostamente não ter se engajado na pré-candidatura do irmão.
“Nikolas, muito obrigado por existir e por estar conosco ombro a ombro”, afirmou Flávio.
O senador também fez elogios a Tarcísio —que cumpre agendas na Alemanha e, por isso, não compareceu— e ao prefeito da cidade, Ricardo Nunes (MDB), além dos governadores de Goiás e Minas Gerais, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
“Isso prova que isso aqui não é ato eleitoral. Que nós, pré-candidatos, juntos, não estamos pensando em voto, mas sim no que é melhor para o país”, disse.
O ato deste domingo ocorre em meio a atritos entre os bolsonaristas, após o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmar ter considerado insuficiente o apoio de Nikolas e da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro (PL), à pré-candidatura de Flávio.
Eduardo participou do ato por vídeo, falando aos manifestantes de dentro de um carro, em um estacionamento, com duas crianças sentadas ao fundo do veículo. Ele agradeceu aos apoiadores e disse que eleger Flávio será concretizar a anistia para Bolsonaro e aos condenados pelos ataques do dia 8 de Janeiro.
“Isso aí não é sobre partido político, não é sobre eleição. A eleição é só a ferramenta, o caminho talvez mais rápido de a gente levar Justiça que vai ser traduzida em anistia, se Deus quiser, com a eleição de Flávio Bolsonaro presidente e com uma bancada de senadores e deputados federais fortes e valentes”, afirmou.
Apesar do protagonismo de Flávio no evento, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto negou que o protesto tenha motivação eleitoral e afirmou que o principal objetivo é pedir pela soltura de Bolsonaro.
“Tudo o que pudermos fazer para defender o Bolsonaro, nós estamos fazendo”, disse ele a jornalistas ao chegar na Paulista.
Os discursos foram realizados em trio elétrico que foi posicionado na esquina com a rua Peixoto Gomide, próximo ao Masp. O deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos), coordenador do movimento “Nas Ruas”, disse que a organização custou cerca de R$ 130 mil, arrecadados por meio de financiamento coletivo.
Por volta das 13h, os manifestantes começaram a preencher os quarteirões ao redor do Masp com cartazes pedindo “fora Moraes”, “justiça e liberdade” e “Bolsonaro livre”. Ao longo da tarde, o protesto lotou quatro quarteirões, entre as ruas Itapeva e Ministro Rocha Azevedo.
O Monitor do Debate Político da USP e a ONG More in Common estimaram a presença de 20,4 mil pessoas na manifestação em seu horário de pico, por volta das 15h53. A margem de erro é de 12%, o que significa que o público foi de 18 mil a 22,9 mil pessoas.
Segundo a contagem, feita a partir de fotos aéreas analisadas com um software de inteligência artificial, a manifestação teve menos da metade do público do ato pró-anistia de 7 de setembro de 2025 —na ocasião, foram contabilizadas 42,4 mil pessoas no momento de pico.
Uma faixa foi disposta na entrada do parque Trianon chamando o STF de “Supremo Tirano Federal”. Em frente ao Masp, foi posicionado um boneco inflável de Bolsonaro com uma mordaça na boca, na qual aparece escrito “falem por mim”. Outro cartaz, próximo ao trio elétrico, dizia “fé em Eduardo Bolsonaro”.
Nikolas, em sua fala, puxou um “fora Toffoli”. Outros políticos, como Flávio, foram orientados a não citarem o ministro.
O deputado bolsonarista chamou Moraes de “pateta”, disse “como sou crente, não posso xingar”, mas na sequência chamou o ministro de “panaca”.
“O destino do Alexandre de Moraes não é impeachment, não. O destino do Alexandre de Moraes é cadeia”, completou o Nikolas.
Ele também anunciou uma vaquinha para auxiliar a Zona da Mata de Minas Gerais, onde fica Juiz de Fora, e pediu um minuto de silêncio pelas vítimas das chuvas.
Presidenciável, o governador Ronaldo Caiado (PSD) disse que a direita não pode perder as eleições deste ano.
“Eu acredito que em 2026 um de nós vai chegar lá, e o que chegar lá vai ter coragem exatamente para poder desmontar tudo isso. É o que eu falo. O problema é que nós não podemos perder as eleições. Esse é o fato principal. E quem sentar naquela cadeira tem que ter autoridade moral e coragem pessoal para fazer as mudanças que o Brasil deseja”, disse ele à imprensa antes de subir no trio elétrico.
Zema criticou o governo Lula e fez um breve discurso, sem citar a tragédia que afeta o seu estado.
“O Brasil não aguenta mais essa farra dos intocáveis”, disse.
Nikolas e Zema participaram do protesto enquanto a cidade mineira de Juiz de Fora sofre com estragos após fortes chuvas nos últimos dias. A tragédia matou mais de 60 pessoas e mobilizou, neste final de semana, a ida de Lula para o município, que é governado pelo PT.
O presidente criticou o governador mineiro nesta sexta (27) por não ter apresentado nenhum projeto para utilizar os recursos disponibilizados pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no estado. A Folha mostrou que a verba do programa para contenção de encostas em Juiz de Fora está travada.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também compareceu ao ato. Ele chegou após o início dos discursos e disse que “o time está escalado e Flávio está escolhido”.
“Vocês não tenham dúvidas de que eu, o Tarcísio, a gente vai estar trabalhando dia e noite para resgatar o que está escrito na nossa bandeira: ordem e progresso”, disse.
Em um discurso inflamado contra Moraes, o pastor Silas Malafaia chamou o ministro de ditador e o acusou de corrupção no caso do Banco Master, afirmando que a esposa do magistrado teve um contrato com o banco. O escritório de advocacia Barci de Moraes, onde atuam Viviane Barci de Moraes e dois filhos do casal, foi contratado pelo banco para representá-lo judicialmente.
Em meio a atritos internos no PL, a deputada federal Rosana Valle discursou em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem sido criticada por Eduardo e alguns dos aliados mais próximos dele.
“Michelle Bolsonaro está junto ao nosso presidente levando fé e coragem”, afirmou Rosana, que é um nome defendido por Michelle para ser candidata ao Senado por São Paulo.
Deputado federal, Mário Frias (PL-SP) disse, ao chegar, que o evento é uma “demonstração de força” da direita em defesa de Bolsonaro.
Antes que o ato tivesse fim, Nikolas pediu uma salva de palmas a Michelle Bolsonaro em reconhecimento a quem “está fazendo marmitas” para levar ao marido na prisão. Ele também comandou uma oração do Pai Nosso antes de dispersar o público, pouco antes de 17h.




















