Luiz Bangbala, reconhecido como o ogan mais antigo do Brasil e uma figura central no Candomblé, faleceu no último domingo (15) no Rio de Janeiro, aos 106 anos. Seu corpo será sepultado nesta terça-feira (17) no Cemitério Jardim Mesquita, na Baixada Fluminense. Ele estava internado desde 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho devido a uma infecção nos rins, e sua partida foi comunicada pela esposa, Maria Moreira, através das redes sociais.
Legado e Trajetória de um Mestre
Nascido Luiz Ângelo da Silva em 21 de junho de 1919, em Salvador (BA), Bangbala foi iniciado no Candomblé em sua cidade natal, onde assumiu a função de ogan — pessoa responsável por tocar os atabaques e conduzir o ritmo das cerimônias de recepção dos orixás. Com mais de oito décadas dedicadas à religião, ele se mudou ainda jovem para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, local onde residiu até seus últimos dias.
Reconhecimento e Contribuições Culturais
Ao longo de sua vida, Bangbala deixou marcas significativas na cultura afro-brasileira. Ele foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro e gravou dezenas de álbuns com cânticos de Candomblé em língua iorubá. Seu trabalho foi amplamente reconhecido, culminando na concessão da Ordem do Mérito Cultural pela Presidência da República em 2014. Postumamente, foi homenageado pela escola de samba Unidos do Cabuçu em 2020 e tema de uma exposição organizada pelo Centro Cultural Correios em 2024, atestando sua relevância artística e religiosa.
Impacto e Memória de um Griot
A notícia de sua morte gerou profunda comoção. Sua esposa, Maria Moreira, expressou a dor da perda, descrevendo-o como 'o mestre dos mestres'. O babalorixá Ivanir dos Santos salientou a importância de Bangbala, definindo-o como 'o grande griot das nossas tradições', um termo que designa os guardiões da memória e história dos povos africanos. Santos ressaltou que, embora parta fisicamente, ele 'vai sempre continuar presente' como um ancestral, iluminando as práticas e a vasta cultura que constitui a identidade afro-brasileira.

















