O julgamento da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, alcançou seu sétimo dia, com o ex-vereador Jairo Souza Santos e a professora Monique Medeiros, mãe e padrasto da criança, no banco dos réus. Presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro, o Tribunal do Júri iniciou no sábado (30) a oitiva das testemunhas de defesa dos acusados, processo que deve se estender por toda a semana.
Depoimentos da Defesa de Monique Medeiros
A sessão mais recente destacou o depoimento de Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e sua principal testemunha de defesa. Durante mais de oito horas, ele descreveu Monique como uma mãe zelosa, sempre presente e dedicada ao filho e ao ex-marido, Leniel Borel, pai de Henry, "nos altos e baixos" da vida.
Bryan relatou que sua irmã e Jairo se conheceram pela internet, e que o comportamento inicial do ex-vereador era gentil, sem levantar suspeitas familiares sobre sua possível participação nas agressões fatais. Ele também mencionou que, após a divulgação dos laudos periciais, Jairo teria tentado persuadir Monique a alterar sua versão dos fatos, levando a família dela a buscar uma defesa separada. O irmão reforçou que a criança era a prioridade de Monique, e ela jamais permitiria qualquer agressão.
No sábado anterior, um colega de trabalho de Monique em uma escola e uma funcionária da brinquedoteca do condomínio onde o crime ocorreu também testemunharam, afirmando a atenção da ré com a criança. Na sexta (29), as testemunhas de acusação foram ouvidas, incluindo o pai de Henry, Leniel Borel, cujo depoimento se estendeu até a madrugada.
Análise da Acusação e Provas Periciais
O advogado Cristiano Medeiros, assistente da acusação ligada ao pai do menino, minimizou o impacto do depoimento de Bryan, argumentando que a testemunha não presenciou os fatos e sua versão seria baseada no relato de Monique após sua prisão, com evidente interesse defensivo. Segundo Medeiros, documentos no processo comprovam que Henry foi lesionado enquanto estava sob os cuidados da mãe e do padrasto.
A defesa de Jairo Souza Santos sustenta que a laceração hepática, apontada como causa da morte e hemorragia, foi resultado das sucessivas manobras de ressuscitação no hospital. Contudo, o médico-legista Luiz Carlos Leal Preste discordou dessa tese em seu depoimento.
Outro legista, Luiz Airton Saveedra de Paiva, detalhou a existência de três traumatismos em locais distintos da cabeça, que resultaram no descolamento do couro cabeludo da vítima. No tórax, foram encontrados sinais de contusão nos pulmões e hemorragia retroaórtica; no abdômen, hemorragia peritoneal, que foi a causa do óbito. Saveedra afirmou que Henry já estava sem vida ao chegar ao hospital.
O delegado Henrique Damasceno, responsável pelo caso, confirmou em depoimento que Jairo fez pressão para que a unidade de saúde atestasse a morte da criança sem a necessidade de encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para perícia.
O Caso Henry Borel: Acusações Detalhadas
Segundo a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Jairo espancou Henry até a morte, com a omissão de Monique Medeiros. O Ministério Público também acusa Jairo de ter submetido o menino a sofrimento físico e mental em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, por meio de violência.
Jairo é acusado de homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima; três torturas praticadas contra criança; fraude processual; e coação no curso do processo, entre outros crimes. Monique responde por sete crimes, incluindo homicídio por omissão qualificado e omissão.




