O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a regulação para o uso da Inteligência Artificial (IA) seja estabelecida por uma instituição multilateral com o porte das Nações Unidas. O objetivo é assegurar que a tecnologia beneficie a sociedade como um todo, contrapondo-se aos interesses de poucos detentores de grandes plataformas.
A declaração foi proferida durante entrevista ao programa India Today, em 20 de outubro, enquanto o presidente brasileiro cumpria agenda em viagem oficial à Índia.
Regulação da Inteligência Artificial: Urgência e Proteção
Lula enfatizou a necessidade de uma regulação “rígida” para a IA, destacando a importância de proteger especialmente crianças, adolescentes e mulheres. Ele alertou para os grandes riscos de uso negativo da IA, que pode causar danos, prejuízos à vida íntima e instigar violência, manifestando preocupação com a resistência de proprietários de grandes plataformas a qualquer regulamentação.
O presidente sublinhou que, apesar de ser algo fundamental, a IA só será positiva para a humanidade se estiver a serviço da sociedade. Segundo ele, a tecnologia tem o potencial de elevar padrões de vida em áreas como saúde e educação, aprimorar serviços públicos e privados, e melhorar as condições de trabalho, desde que a sociedade assuma o controle sobre seu desenvolvimento e aplicação.
BRICS: Nova Abordagem e Desafios Econômicos
Ao discutir as expectativas para o futuro do BRICS, Lula classificou o bloco como uma das criações mais importantes das últimas três décadas. Ele o posicionou como representante do “sul global”, diferenciando-o de grupos como o G7 e o G20, e destacou sua “nova abordagem institucional” focada em inovação para o século XXI, sem replicar modelos passados. O BRICS, fundado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia e China, expandiu-se com a entrada da África do Sul em 2011, e de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã em 2024.
Redução da Dependência do Dólar
Sobre a desdolarização, Lula defendeu o respeito às decisões dos países sobre suas formas de comercialização, propondo que acordos comerciais bilaterais, como entre Brasil e Índia, possam ser realizados em moedas locais. Reconhecendo as dificuldades, ele afirmou ser um processo que pode ser tentado e discutido conforme a vantagem de cada nação, citando o precedente de transações com a Argentina usando moedas locais em seu primeiro mandato.
Relação Brasil-EUA
Lula reiterou ter uma boa relação com o presidente dos EUA, Donald Trump, e manifestou disposição para dialogar sobre questões importantes para ambos os países, incluindo parcerias voltadas à exploração de minerais críticos em território brasileiro.



















