Boas notícias para quem usa “canetas emagrecedoras“: perder peso rápido pode ser mais eficaz do que emagrecer de forma gradual. E a perda rápida pode não aumentar o risco de recuperar os quilos depois. É o que aponta um estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026), em Istambul, na Turquia, em maio.

Continua após a publicidade

“Resultados iniciais e visíveis podem aumentar a motivação. Isso, por sua vez, pode reforçar a adesão durante a fase inicial crítica”, disse a principal autora do estudo, Line Kristin Johnson, ao G1. “É absolutamente plausível que uma perda de peso inicial rápida possa melhorar a motivação e a persistência.”

No entanto, a pesquisadora frisou que o principal recado do estudo é o seguinte: “Com a orientação adequada, uma perda de peso inicial mais rápida pode ser eficaz e sustentável, ao contrário da crença comum. Os fatores mais importantes são estrutura, apoio e estratégias de manutenção a longo prazo.”

Por dentro do estudo que comparou jeitos de perder peso

Pesquisadores do Vestfold Hospital Trust, na Noruega, conduziram o ensaio clínico randomizado, em parceria com a empresa Roede AS. Ao todo, 284 adultos com obesidade participaram do estudo.

Na pesquisa, os participantes foram divididos em dois grupos iguais. Um foi submetido a um programa de perda de peso rápida. O outro foi submetido a um programa de perda de peso gradual.

O primeiro seguiu uma dieta mais restritiva durante as primeiras 16 semanas. Foi assim:

  • Semanas 1 a 8: menos de mil calorias por dia;
  • Entre as semanas 9 e 12: menos de 1,3 mil calorias por dia;
  • Entre as semanas 13 e 16: menos de 1,5 mil calorias por dia.

O segundo consumiu entre 800 e mil calorias abaixo do gasto energético diário estimado. A média relatada foi de 1,4 mil calorias por dia, aproximadamente.

Durante as 16 semanas iniciais, o grupo do emagrecimento rápido perdeu, em média, 12,9% do peso corporal. Já o gradual, 10,5%.

Passada a fase inicial, os participantes foram submetidos ao mesmo programa de prevenção do reganho de peso durante 36 semanas.

Os pesquisadores observaram que quem participou do programa de emagrecimento rápido perdeu mais peso, manteve resultados melhores após 52 semanas e alcançou com maior frequência metas associadas à redução de risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares.


Para os pesquisadores, os resultados indicam que a perda rápida de peso, quando ocorrida dentro de um programa estruturado, não levou a maior reganho de peso no período analisado.

“A crença de que a perda de peso gradual é mais sustentável provavelmente deriva de estudos observacionais e de pequena escala”, disse Johnson. “Essas recomendações não foram fortemente apoiadas por ensaios clínicos randomizados de alta qualidade.”

Importância do acompanhamento, contraindicações e ressalvas

Os pesquisadores reforçam que os resultados listados no estudo foram obtidos num ambiente supervisionado e estruturado, com acompanhamento contínuo.

“Sem supervisão, os riscos potenciais incluem má qualidade da dieta, levando a deficiências nutricionais, menor sustentabilidade e maior probabilidade de desistência, bem como o uso de métodos inseguros de ‘solução rápida’”, alertou a principal autora do estudo.

Continua após a publicidade

Canetas Ozempic enroladas em fitinha métrica usada para checar perda ou ganho de peso
Emagrecer rápido fora de programas estruturados pode favorecer o efeito rebote, algo comum entre quem usa “canetas emagrecedoras” – Imagem: Alones/Shutterstock

Outro ponto importante frisado por Johnson: a perda rápida de peso, quando fora de programas estruturados, pode favorecer o efeito rebote.

Além disso, a pesquisadora disse que a perda rápida de peso não é recomendada para:

  • Gestantes e lactantes;
  • Idosos;
  • Pacientes com câncer;
  • Pessoas com doenças crônicas graves;
  • Pessoas com transtornos alimentares (ou alto risco de desenvolvê-los);
  • Pessoas sem capacidade de aderir a acompanhamento estruturado.

Por fim, uma ressalva: cerca de 90% da amostra da pesquisa era composta por mulheres. Isso reduz a margem de generalizar os resultados do estudo para homens.

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

Ver todos os artigos →



Share.
Leave A Reply

Exit mobile version