Em novembro do ano passado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, enquanto o proprietário da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso.
Um mandado de busca anexado a um dos inquéritos do caso Master mostra que a PF só encontrou na mansão que Vorcaro usava para festas e encontros de autoridades vinhos, uísque e algumas cópias de memorandos sem relevância.
Mensagens anexadas ao inquérito sugerem que Vorcaro já sabia que a Polícia Federal o prenderia naqueles dias. A busca foi feita na mansão que fica no Lago Sul, área mais nobre de Brasília.
A ordem judicial era para que fossem confiscados documentos, carros, jóias, obras de arte, ouro, dólar e dispositivos eletrônicos, além de eventuais provas e produtos que envolvessem indícios de crimes.
Os policiais encarregados da busca, no entanto, encontraram apenas cópias de memorandos de entendimentos entre o Master e o BRB, que nada acrescentaram às investigações.
As suítes, salas e varandas da mansão estavam quase completamente vazias. Um funcionário que chegou à residência de Vorcaro durante a operação disse aos policiais que o proprietário da residência havia se mudado e que o imóvel já tinha sido alugado para outra pessoa.
Um outro funcionário que tomava conta da casa foi ao local durante a busca e disse aos policiais que havia pouquíssimos objetos pessoais do banqueiro na residência. Segundo ele, a mansão era um local para recepções, reuniões e hospedava Vorcaro na capital.
Os policiais encontraram no quarto de Vorcaro um terno, duas camisas e roupas esportivas. “Na parte inferior, havia uma sala de jogos e uma adega, onde foi apreendida a lista de vinhos”, diz o relatório.
A mansão usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro tem 1.699 metros de área construída, é cercada por um muro com mais de 4 metros de altura e foi comprada em junho de 2024 por 36 milhões de reais.
Foi nesse endereço que Vorcaro recebeu, entre outros, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, conforme mostram as mensagens anexadas ao inquérito. A entrada do condomínio tem uma guarita, mas não tem porteiro para anotar entradas e saídas.
Dois dias antes de ser preso, em novembro do ano passado, Vorcaro teria perguntado a Alexandre de Moraes, segundo relatório da Polícia Federal, se deveria deixar o Brasil. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, indagou. Não se sabe o que Moraes responde, já que as mensagens dele foram apagadas.
A mansão está em nome da Super Empreendimentos e Participações, do advogado do banqueiro Leonardo Palhares, o mesmo que intermediou o contrato milionário do Master com a esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, no valor de 131 milhões de reais.
Palhares também cuidava dos pagamentos mensais de 3,6 milhões de reais para Viviane. O ministro André Mendonça, do Supremo, decretou a indisponibilidade da mansão em março deste ano.




