
Servidora presa com R$ 6 milhões: veja tudo que se sabe sobre
Uma servidora pública suspeita de desviar cerca de R$ 6 milhões da Prefeitura de Santo Antônio do Pinhal, no interior de São Paulo, foi presa preventivamente nesta quarta-feira (12).
A investigação, conduzida pela Polícia Civil, também apura se parte do dinheiro público foi utilizada em apostas, inclusive online.
Identificada como Ana Flávia dos Santos, de 31 anos, a servidora passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (13) e teve a prisão mantida. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) foi procurada para informar para qual presídio a servidora foi encaminhada, mas não retornou o contato do g1 até a última atualização desta reportagem.
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O g1 reuniu respondeu perguntas e respostas do caso. Nesta reportagem, você vai ver o que se sabe sobre os seguintes questionamentos, veja:
Quem é a investigada?
Por que ela foi presa?
Qual crime é investigado?
Quando começaram as irregularidades?
Como funcionava o esquema?
Como o desvio foi descoberto?
O dinheiro foi recuperado?
O dinheiro pode ter sido usado em apostas?
Há outros investigados?
O que a Justiça determinou?
Qual o impacto para o município?
O que diz a defesa?
Servidora presa com R$ 6 milhões: veja tudo que se sabe sobre desvio na Prefeitura de Santo Antônio do Pinhal
Reprodução/TV Vanguarda
1 – Quem é a investigada?
Ana Flávia dos Santos, de 31 anos, era servidora concursada e ocupava o cargo de chefe de tesouraria da Prefeitura de Santo Antônio do Pinhal. Segundo a investigação, o salário dela era de aproximadamente R$ 2 mil.
2 – Por que ela foi presa?
A prisão preventiva foi decretada pelo juiz José Loureiro Sobrinho, da Vara Regional das Garantias da 9ª Região Administrativa Judiciária, em São José dos Campos.
De acordo com a decisão, há indícios de desvio milionário e risco de fuga. Testemunhas relataram que a investigada teria adquirido dólares em espécie e passagens aéreas internacionais, além de planejar uma “lua de mel” no exterior.
Ainda segundo o magistrado, Ana Flávia apresentava padrão de vida considerado incompatível com os rendimentos do cargo.
3 – Qual crime é investigado?
A servidora foi indiciada por peculato — crime que ocorre quando um funcionário público se apropria de dinheiro ou bens em razão do cargo. A pena prevista varia de dois a 12 anos de prisão.
4 – Quando começaram as irregularidades?
Segundo a decisão judicial, os desvios teriam começado em dezembro de 2024, inicialmente com valores menores. Ao longo de 2025, os montantes teriam aumentado progressivamente.
5 – Como funcionava o esquema?
De acordo com a investigação, Ana Flávia utilizava sua função para transferir recursos de contas municipais para uma conta inativa do tipo “cartão-adiantamento”.
Depois, os valores eram enviados para a conta pessoal dela por meio de operações via PIX e TED, utilizando o próprio e-mail como chave.
Ainda conforme a decisão, para evitar a detecção das movimentações, a servidora realizava pessoalmente a conciliação bancária e alterava dados em sistemas internos da Prefeitura e no sistema Audesp, do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).
Servidora presa em Santo Antônio do Pinhal comprou dólares e passagens
6 – Como o desvio foi descoberto?
O suposto desfalque foi identificado no dia 6 de fevereiro de 2026, enquanto a investigada estava de folga.
Segundo o processo, a chefe de contabilidade notou uma pendência de PIX em favor da tesoureira. Após o reset de senhas das contas municipais, foi constatado o prejuízo estimado em R$ 6 milhões.
7 – O dinheiro foi recuperado?
Até o momento, cerca de R$ 800 mil foram recuperados, segundo a Polícia Civil.
8 – O dinheiro pode ter sido usado em apostas?
Sim. A Polícia Civil investiga se parte dos valores desviados foi utilizada em jogos de azar, inclusive em plataformas digitais.
“Ela pulverizava os valores em diversas contas, e esse dinheiro acabava retornando para ela. Foi assim que conseguimos refazer o caminho e identificá-la. Em depoimento, ela alegou que usou boa parte do dinheiro em jogos de azar, em plataformas digitais. Mas a investigação ainda está em andamento, inclusive para verificar se há outras pessoas envolvidas”, afirmou o delegado responsável pelo caso, Luís Geraldo Ferreira.
9 – Há outros investigados?
Segundo a polícia, a apuração segue em andamento para verificar possível envolvimento de outras pessoas. Até o momento, a participação direta identificada é apenas da servidora.
10 – O que a Justiça determinou?
Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou:
quebra de sigilo bancário e fiscal;
bloqueio de valores em contas da investigada, até o limite de R$ 6 milhões;
mandados de busca e apreensão;
quebra de sigilo telefônico e telemático.
11 – Qual o impacto para o município?
Segundo a Prefeitura, o valor investigado corresponde a aproximadamente 10% da receita anual de Santo Antônio do Pinhal.
A administração informou que, além da investigação criminal, foram abertos procedimentos nas esferas civil e administrativa. A servidora poderá responder por improbidade administrativa e pode ser exonerada.
12 – O que diz a defesa?
A defesa de Ana Flávia dos Santos foi procurada pelo g1, mas não respondeu ao portal até a última atualização desta reportagem. A reportagem será atualizada caso haja manifestação.
Delegacia de Campos do Jordão investiga o caso.
Reprodução/TV Vanguarda
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