Governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo) voltou a criticar nesta quarta-feira (18) o Supremo Tribunal Federal (STF) e comparou a atuação da corte à de um papa pedófilo.
Zema, que ainda patina nas pesquisas eleitorais, tem adotado nas últimas semanas um discurso de confronto com o Supremo em meio às polêmicas do caso Master que cercam o tribunal.
“O que nós estamos assistindo no Brasil, eu não me lembro de ter assistido à mais alta corte, que deveria ser referência. Olha o que ela está aprontando. É como se nós tivéssemos um papa pedófilo. O que esperar dos padres?”, afirmou o governador em evento do agronegócio em Belo Horizonte.
O governador mineiro, que vai passar o cargo no próximo domingo (22) ao vice, Mateus Simões (PSD), criticou o Supremo após ser questionado sobre como levaria a bandeira do agronegócio para a pré-campanha à Presidência.
Como mostrou a coluna Painel, Zema e o partido Novo têm buscado ocupar o espaço dos bolsonaristas nas críticas ao Judiciário.
Estrategistas do governador mineiro avaliam que os partidários de Flávio Bolsonaro (PL) têm adotado cautela nos ataques ao Judiciário, com o intuito de demonstrar moderação junto ao eleitor de centro.
O acúmulo de críticas de Zema ao STF chegou a ser alvo de comentários do ministro Gilmar Mendes em sessão do Supremo no início do mês.
“É chocante ver um governador como o de Minas Gerais, que levou o estado a uma debacle econômica, mas está sobrevivendo graças a liminares dadas por este tribunal, atacar o tribunal. Eu fico pensando ‘Pai, eles não sabem o que fazem’”, disse o decano.
Gilmar se referia a uma decisão do STF ainda do fim do governo do antecessor de Zema, Fernando Pimentel (PT), que liberou o estado de pagar suas dívidas com a União.
A liminar foi renovada ao longo do governo Zema até a entrada do estado no Regime de Recuperação Fiscal –também por decisão do Supremo.
Minas Gerais encerrou 2025 com R$ 177 bilhões em dívidas junto à União, alta de 40% em valores corrigidos pela inflação em relação a 2018, último ano antes de Zema assumir o cargo.
A gestão estadual afirma que não contraiu novas dívidas no período e que a alta é justificada pela incidência de juros e outros encargos. Também diz que um indicador que mede a capacidade de pagamento do estado melhorou durante o governo Zema.




















