Uma pesquisa conduzida por cientistas da Washington University School of Medicine, em St. Louis, analisou dados de mais de 150 mil pessoas do Reino Unido e dos Estados Unidos e identificou que as gerações mais jovens podem estar envelhecendo biologicamente mais rápido do que as anteriores. O trabalho avaliou não apenas a idade cronológica, mas sinais moleculares e fisiológicos do organismo.
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O estudo também relaciona esse envelhecimento acelerado a um aumento no risco de câncer em idades mais precoces, com destaque para tumores de pulmão, sistema digestivo e útero. A análise indica que o ritmo de desgaste biológico do corpo pode ter impacto direto na saúde, independentemente da predisposição genética.
Os dados sugerem ainda que fatores como estilo de vida, ambiente e estresse metabólico podem antecipar processos de envelhecimento celular, ampliando a preocupação sobre o aumento de casos de câncer entre pessoas mais jovens.
O estudo tem como pesquisadora principal a cientista Yin Cao e foi publicado no final de junho no periódico Nature Medicine.
Envelhecimento biológico e risco de câncer em novas gerações

A investigação utilizou registros do UK Biobank, com cerca de 154 mil participantes, para comparar indicadores de envelhecimento entre diferentes grupos de nascimento. Os pesquisadores observaram que pessoas nascidas em períodos mais recentes apresentaram corpos biologicamente mais “velhos” quando comparadas a indivíduos de gerações anteriores na mesma idade cronológica.
Nos dados do Reino Unido, indivíduos nascidos entre 1965 e 1974 apresentaram organismos aproximadamente 23% mais envelhecidos do que aqueles nascidos no início da década de 1950. Já nos Estados Unidos, a diferença se mostrou ainda mais acentuada, com pessoas nascidas nos anos 1990 apresentando envelhecimento biológico cerca de 92% superior ao de indivíduos nascidos no fim da década de 1960.
Para chegar a essas conclusões, os cientistas empregaram métodos como PhenoAge, baseado em marcadores sanguíneos, além do método Klemera–Doubal e análises metabolômicas. Também foram usados dados proteômicos para estimar o envelhecimento de órgãos específicos, permitindo identificar diferenças entre sistemas como o imunológico e o tecido adiposo.

A pesquisa apontou ainda que quanto maior a distância entre idade biológica e cronológica, maior o risco de câncer. O aumento geral no envelhecimento biológico esteve associado a cerca de 15% de maior probabilidade de câncer sólido em início precoce.
Ao detalhar órgãos específicos, o estudo observou que o envelhecimento acelerado do sistema imunológico esteve ligado ao câncer de pulmão em jovens, enquanto alterações no tecido adiposo foram associadas ao câncer colorretal. Esses achados indicam que diferentes sistemas do corpo podem influenciar tipos distintos de tumor.
Segundo a epidemiologista Yin Cao, responsável por parte da análise, “Se conseguirmos identificar pessoas mais jovens com maior risco de câncer enquanto ainda estão saudáveis, podemos focar em estratégias de prevenção e detecção precoce para os indivíduos que mais se beneficiarão de intervenções antecipadas“, explicou ao jornal da universidade. A pesquisadora defende que a identificação precoce de grupos de risco pode direcionar estratégias de prevenção.
Os autores também apontam que fatores como dieta, poluição e sedentarismo podem contribuir para a aceleração dos relógios biológicos. O conjunto de resultados foi publicado na revista Nature Medicine e sugere que o envelhecimento celular pode ser um indicador relevante para políticas de prevenção do câncer.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.
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