O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recomendou a suspensão da Torcida Jovem Camisa 12, do Corinthians, até o final deste ano, diante de tentativa de intimidação direcionada aos jogadores do clube paulista ocorrida após a eliminação da Copa Libertadores. “Em caso de adoção da medida, os associados poderão ingressar nos estádios durante jogos de todas as categorias, mas sem faixas, bandeiras, instrumentos musicais ou quaisquer artefatos ou indumentárias que permitam identificar a organização”, diz trecho do comunicado divulgado pela assessoria do MP paulista.
Os promotores Roberto Bacal e Daniela Hashimoto, que oficiam na Promotoria do Juizado Especial Criminal Central, fizeram referência a fatos registrados após a partida entre Corinthians e Estudiantes de La Plata (Argentina), válida pelas quartas de final da Copa Libertadores, “quando torcedores se concentraram nas proximidades da Neo Química Arena, em São Paulo, e abordaram veículos que deixavam o estádio para identificar se transportavam jogadores do Corinthians”. As abordagens de integrantes da torcida, segundo relatório policial, evoluíram para cercamento de automóveis, constrangimento dos ocupantes, chutes contra veículos e arremesso de objetos. Houve ainda relato de possível disparo de arma de fogo para o alto, informou o MP. O Corinthians está em situação complicada e luta para não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. Na 33ª rodada, nesta sexta-feira, 30, o Timão encara o Mirassol, a partir das 20h.
Segundo comunicado da Promotoria, a torcida havia firmado em outubro do ano passado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com compromisso de se afastar de tumultos, brigas e agressões. “O documento previa a aplicação de medidas educativas em caso de envolvimento da torcida em atos violentos ou situações que colocassem em risco a ordem pública, incluindo a suspensão do comparecimento aos estádios”, registrou o MP.
Para os promotores, os acontecimentos representaram uma “distorção da cultura da paz no esporte por mero descontentamento em virtude de um placar contrário à vitória”. A direção da torcida informou ao MP ter colaborado com as investigações e identificado torcedores envolvidos, mas, segundo o documento, não apresentou informações sobre punições administrativas aplicadas aos associados que participaram dos atos de vandalismo. O documento do MP foi encaminhado à Federação Paulista de Futebol (FPF).
Em seu perfil no Instagram, a Torcida Jovem Camisa 12 publicou, na quarta-feira, nota reafirmando “seu compromisso com a promoção da cultura de paz nos estádios e em todos os espaços relacionados ao esporte”. As outras organizadas do clube paulista também assinaram a nota. “As entidades signatárias reconhecem a importância do esporte como instrumento de integração social, cidadania e inclusão. Por isso, assumem o compromisso de atuar na conscientização de seus associados e torcedores para que os eventos esportivos sejam ambientes seguros, acolhedores e marcados pelo respeito à vida, às diferenças e às instituições (…) Nesse sentido, as torcidas organizadas assumem o papel de agentes na construção de um ambiente mais seguro e positivo para todos”, diz trecho do comunicado.
Fonte: Abril


