Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira, 3, para definir o controle do Congresso em uma eleição de meio de mandato que será um teste para a força política de Donald Trump. Com maioria na Câmara dos Deputados e no Senado desde 2024, os republicanos tentam preservar o apoio parlamentar ao presidente, enquanto os democratas buscam recuperar o controle do legislativo para impor freios à sua agenda. Estão em disputa todas as 435 cadeiras para deputados e 35 das 100 vagas para senadores.
Mais de 58 milhões de americanos já votaram antecipadamente das chamadas midterms, que são plantadas no meio do mandato presidencial, mas espera-se que milhões de votos mais sejam computados nesta terça.
Como é a votação
Nos Estados Unidos, não há uma autoridade eleitoral unificada como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) brasileiro: cada estado é responsável pelo seu sistema de votação e pela contagem das cédulas. Os eleitores americanos podem votar presencialmente (seja durante o período de votação antecipada ou no dia da eleições); outros milhões votam por correio. As cédulas são físicas, em papel.
Alguns estados contabilizam as cédulas enviadas por correio dias após a data da eleição, desde que elas tenham sido postadas até o dia do pleito — uma prática recentemente validada pela Suprema Corte americana.
Diferentemente dos anos de eleição presidencial, nas midterms não existe Colégio Eleitoral, o órgão com centenas de delegados distribuídos proporcionalmente entre todos os Estados americanos e o distrito de Columbia, segundo a população e o número de parlamentares de cada unidade federativa. Portanto, não é preciso se preocupar com esse mecanismo até 2028.
Como os votos são contados
As cédulas em papel são, em geral, escaneadas por máquinas e seus dados são processados digitalmente. No entanto, essa etapa é acompanhada de contagens manuais parciais e auditorias com intuito de verificar a precisão dos resultados.
Os dados costumam ser divulgados em lotes. Em algumas localidades, as cédulas enviadas por correio que chegam no dia da eleição são processadas antecipadamente e os resultados são liberados logo após o encerramento da votação — geralmente, cerca de uma hora depois.
Existem também períodos de regularização (“curing periods“, em inglês), que permitem aos eleitores garantir que seus votos sejam contabilizados, caso precisem fornecer informações adicionais ou confirmar a autenticidade de sua assinatura em uma cédula enviada por correio. Essas cédulas costumam ser as últimas a serem processadas.
A apuração pode levar mais tempo em locais mais populosos ou em zonas eleitorais que adotam políticas para ampliar o acesso ao voto, como o envio universal de cédulas por correio ou a existência de períodos de regularização. A contagem também pode parecer mais demorada em disputas muito acirradas, mas isso se deve ao equilíbrio entre os candidatos e à importância de cada voto individual.
Em 2024, segundo o Laboratório de Ciência e Dados Eleitorais do MIT, a maior parte dos votos foi contabilizada em cerca de oito horas. Após dois dias, todos os estados — com exceção da Califórnia — já haviam apurado mais de 75% dos votos.
Resultados finais
Os resultados de uma eleição nos Estados Unidos só são considerados definitivos após a conferência e certificação pelas autoridades locais, embora, na prática, já se saiba antes disso quem foram os vencedores.
Caso a diferença entre os candidatos seja muito pequena — geralmente menos de um ponto percentual —, o estado ou município pode acionar uma recontagem automática. Esse processo pode atrasar consideravelmente a divulgação dos resultados. Por isso, veículos de imprensa costumam evitar declarar um vencedor quando a margem está dentro do limite que prevê a recontagem.
Fonte: Abril


