As negociações entre Estados Unidos e Irã, focadas nos limites do programa nuclear iraniano, sofreram uma drástica reviravolta em apenas 48 horas. O colapso do diálogo culminou em uma ofensiva militar que resultou em centenas de mortes, conforme revelado pelo acompanhamento das redes sociais do mediador.
Contexto dos Ataques Militares
Ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel atingiram cidades iranianas, ocorrendo em meio a uma série de encontros entre representantes do presidente americano Donald Trump e do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Por anos, a comunidade internacional discute a natureza do programa nuclear do Irã: Teerã insiste em fins pacíficos, enquanto Washington e aliados, como Israel, suspeitam de propósitos militares.
Histórico de Acordos Nucleares e Retiradas
Em 2015, o então presidente americano Barack Obama firmou um acordo com o Irã, limitando a capacidade de enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções econômicas. O nível de enriquecimento de urânio é um fator chave para determinar a finalidade de um programa nuclear.
Em 2018, Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo. Contudo, em 2025, sinalizou a necessidade de um novo pacto, levando o Irã de volta à mesa de negociações sob pressão e ameaça de conflito.
O Papel de Omã e a Importância Estratégica
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi, atuou como mediador externo nas conversas. Omã, país vizinho ao sul do Irã, é estrategicamente posicionado e abriga a Península de Musandam, que forma o Estreito de Ormuz.
Após os ataques, o Estreito de Ormuz ganhou destaque, sendo responsável pela passagem de cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Analistas temem que um eventual bloqueio iraniano do estreito possa escalar os preços da matéria-prima no mercado global.
Cronologia de uma Crise: 48 Horas de Reviravolta
As publicações de Badr AlBusaidi no X (antigo Twitter) ilustram a rápida transformação da esperança de paz em "consternação" em apenas dois dias:
22 de Fevereiro: Otimismo em Genebra
O mediador confirmou uma rodada de conversas em Genebra, Suíça, programada para 26 de fevereiro, expressando satisfação e um "impulso positivo para buscar a finalização do acordo".
26 de Fevereiro: Progresso Significativo
Ao fim do dia, o ministro de Omã declarou que as negociações registraram "progresso significativo", com negociadores retornando aos seus países para consultas. Ele anunciou discussões técnicas para a semana seguinte em Viena.
27 de Fevereiro: Paz ao Alcance
Badr AlBusaidi compartilhou uma foto de um encontro com o vice-presidente americano, J.D. Vance, indicando a troca de detalhes sobre o progresso das negociações. Ele expressou gratidão pelo engajamento e a esperança de avanços decisivos, concluindo que "a paz está ao nosso alcance". No mesmo dia, em entrevista à CBS News, ele reiterou que um acordo de paz sem armas nucleares e com verificação abrangente era possível.
28 de Fevereiro: A Consternação
Dois dias após o "progresso significativo" e um dia após afirmar que a paz estava "ao alcance", o mediador declarou-se "consternado". Ele afirmou que as negociações ativas foram novamente prejudicadas, o que não serve aos interesses dos EUA nem à causa da paz global. Ele apelou aos Estados Unidos para que não se envolvam mais, ressaltando: "Esta não é a sua guerra", e rezou pelos inocentes que sofrerão.
Consequências Humanitárias Imediatas
A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, conforme dados do Crescente Vermelho, uma organização humanitária, deixou ao menos 201 pessoas mortas e 747 feridas. Entre as vítimas, pelo menos 85 alunas morreram em um bombardeio a uma escola no sul do país.


















