Agnaldo Noleto, artesão de 56 anos, dedica-se diariamente à minuciosa criação de réplicas dos icônicos monumentos de Brasília. Acordando às 3h para iniciar seu trabalho em Santo Antônio do Descoberto (GO), a mais de 50 quilômetros da capital, ele transforma resina, madeira e tinta em peças que celebram a cidade que aprendeu a amar. Produzindo cerca de 850 miniaturas por semana, que se tornam lembranças para turistas e moradores, Agnaldo nutre uma profunda conexão com cada obra, especialmente a Catedral de Brasília, sua maior inspiração.
A Vocação do Artesão
A trajetória de Agnaldo em Brasília começou aos 14 anos, quando migrou de Riachão (MA) em 1980. Sua vocação artística, latente desde a infância ao criar objetos com madeira e argila, foi se consolidando. Após trabalhar como vigia, foi incentivado por guias de turismo e, já adulto, encontrou nos materiais como a resina (substituindo a pedra-sabão) o caminho para o artesanato. Para ele, o artesanato transcende a arte; é sua cultura. Sua primeira miniatura foi Os Candangos, de Bruno Giorgi, um símbolo dos migrantes que, como ele e sua irmã, vieram construir a capital. Ele também reproduz a Catedral de Oscar Niemeyer, reconhecendo a complexidade de cada detalhe, apesar de se considerar apenas um 'copiador'.
A dedicação de Agnaldo é refletida em sua rotina exaustiva: de segunda a sexta, as jornadas de trabalho frequentemente se estendem pela noite. Aos finais de semana, ele expõe suas criações em frente à Catedral, das 8h às 18h. Esse esforço contínuo e o alto padrão de suas miniaturas não apenas mantêm viva a cultura do artesanato, mas também garantiram o sustento e a criação de seus seis filhos, todos nascidos em Brasília.
O Legado e o Movimento
Durante a semana, Agnaldo compartilha seu ponto de venda em frente à Catedral com Nariane Rocha, de 44 anos, também maranhense, e sua nora, Michele Lima, de 42 anos. Nariane assumiu a comercialização das miniaturas após o falecimento de seu marido, Marcelino, vítima de câncer no ano passado, mantendo viva uma parceria que durou uma década. Juntas, elas prosseguem o legado da arte e do comércio.
Residindo no Novo Gama, a mais de 40 quilômetros da Catedral, Nariane e Michele compartilham aspirações significativas. Elas sonham em abrir uma loja física para superar as adversidades climáticas e a logística diária de transporte das peças. Além disso, ambas almejam cursar psicologia, refletindo seu desejo de aprofundar a compreensão das pessoas e suas histórias, uma extensão natural de sua interação diária como comerciantes.



















