As ações das empresas de varejo da Bolsa registram queda nesta quarta-feira (13) após o fim das “Taxas das Blusinhas”, que devem aumentar a concorrência no setor, apesar da visão de que as companhias estão mais preparadas operacionalmente.
Às 10h50 (horário de Brasília), C&A (CEAB3) caía 3,19% (R$ 10,62), Riachuelo (RIAA3) tinha baixa de 2,44% (R$ 8,41) e Lojas Renner (LREN3) desvalorizava 1,02% (R$ 13,55).
Cabe destacar também que as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem ganhos nesta manhã de quarta-feira, após dados indicarem crescimento das vendas no varejo brasileiro pelo terceiro mês consecutivo, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries têm altas leves, com as atenções dos investidores voltadas para a China, o que também afeta as ações do setor.
O governo eliminou a tarifa federal de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$ 50 na última terça-feira (12), revertendo a tributação implementada em 2024 e reduzindo novamente o custo das compras cross-border. Antes da tributação, os volumes importados superavam 18 milhões de encomendas mensais no Brasil, caindo para cerca de 11 milhões após a implementação do imposto e posteriormente se recuperando para a faixa de 15–17 milhões.
O imposto federal havia sido introduzido atendendo a solicitações de grupos industriais e varejistas nacionais preocupados com a assimetria tributária em relação a produtos importados vendidos por meio de plataformas online.
Cconforme ressalta o Bradesco BBI, a flexibilização das condições de concorrência é naturalmente negativa para os varejistas locais, principalmente para aqueles mais voltados para esse segmento de preço.
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As varejistas de vestuário de renda média – como é o caso da C&A, Lojas Renner e Riachuelo – devem ser as mais impactadas e enfrentar volatilidade em seus preços.
No curto prazo, os analistas do BBI acreditam que o impacto para os players locais (redução média de 1,0% na receita bruta para os varejistas de vestuário, segundo a projeção do banco) parece administrável, visto que as empresas são operacionalmente mais eficientes em comparação com 2024 e as plataformas transfronteiriças (como a Shein) parecem ter perdido força significativa nos últimos dois anos.
Além disso, o BTG Pactual também aponta que as varejistas locais como Renner, C&A e Riachuelo melhoraram fornecimento, gestão de estoques, remarcação e estrutura de preços ao longo de 2024 e 2025. Ainda assim, pesquisas proprietárias mostram que a Shein continua operando com preços inferiores aos varejistas domésticos.
