A médica Aleida Guevara, filha de Ernesto “Che” Guevara, expressou profunda preocupação com a possibilidade de uma invasão dos Estados Unidos a Cuba. Em sua recente visita ao Brasil, ela destacou que o comportamento imprevisível do então presidente Donald Trump gerava uma constante sensação de ameaça na ilha. Aleida, aos 65 anos, reafirma a lealdade da maioria do povo cubano aos princípios da Revolução de 1959, que estabeleceu o primeiro Estado socialista na América Latina, desafiando a hegemonia norte-americana na região.
Percepção de Ameaça Iminente e a Resiliência Cubana
Guevara descreveu a situação em Cuba como de alerta contínuo, afirmando que a “loucura” de certos setores da política dos EUA poderia precipitar um ataque a qualquer momento. Ela enfatizou a capacidade de resistência do povo cubano, citando Fidel Castro: "Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme." A urgência dessa percepção a levou a antecipar seu retorno a Cuba, garantindo que estaria em seu país caso a nação fosse alvo de ataque.
Impacto do Bloqueio Econômico e a Unidade Cubana
A entrevista também abordou o endurecimento do bloqueio econômico e energético imposto pelos EUA há mais de seis décadas. Aleida Guevara relatou períodos críticos, como a ausência de petróleo por três meses, que impacta diretamente a vida da população, dificultando o acesso a bens essenciais como gasolina e medicamentos, mesmo para quem possui recursos. Paradoxalmente, ela observou que a intransigência das políticas americanas, que ela qualificou como “idiotice”, frequentemente serve para fortalecer a unidade interna de Cuba, ao invés de desestabilizar o governo.
Críticas às Políticas Americanas na Região
Para ilustrar as consequências das políticas dos EUA e a consciência social em Cuba, Aleida fez referência a exemplos como Haiti e Porto Rico. Ela criticou a resposta do então presidente Trump à crise em Porto Rico após o furacão de 2017, quando, segundo ela, ele “jogou papel higiênico” em afetados e deixou grande parte da ilha sem eletricidade, evidenciando a percepção cubana sobre o tratamento dos EUA para com seus vizinhos.
Solidariedade Internacional e Agenda no Brasil
Aleida Guevara esteve no Brasil para participar do 4º encontro do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), um evento que ela considerou “incrivelmente interessante”. Ela destacou a importância da solidariedade internacional com Cuba e a visão dos camponeses brasileiros, que identificam a ilha como um “farol de liberdade e dignidade humana”. Durante sua estadia, temas como a reforma agrária no Brasil foram discutidos, sendo considerada um “calcanar de Aquiles” para a soberania alimentar do país.


