A Amazon anunciou nesta quarta-feira (15) um acordo para levar sua internet via satélite à África do Sul a partir de 2027, ampliando a presença do serviço Amazon Leo no continente africano. A iniciativa coloca a empresa de Jeff Bezos à frente da Starlink no mercado sul-africano.

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A operação será viabilizada por uma parceria com a provedora local Herotel, responsável pela oferta do serviço no país. O movimento ocorre enquanto a empresa de Elon Musk permanece impedida de atuar na África do Sul por não cumprir as exigências de participação societária previstas na legislação nacional.

A disputa entre as duas companhias acontece em um dos mercados considerados promissores para a conectividade via satélite, especialmente pela grande quantidade de áreas sem infraestrutura tradicional de internet. A Amazon pretende usar a entrada no país como ponto inicial para sua expansão regional.

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(Imagem: Wirestock Creators / Shutterstock)

O acordo firmado entre Amazon e Herotel representa o primeiro compromisso comercial do Amazon Leo no continente africano. A companhia não informou os valores envolvidos na parceria, mas afirmou que o projeto faz parte de uma estratégia de crescimento internacional do serviço, anteriormente chamado de Projeto Kuiper.

A chegada da Amazon ocorre em um cenário de disputa regulatória envolvendo a Starlink. A empresa de Elon Musk ainda não iniciou suas atividades na África do Sul porque não atende às regras locais para empresas estrangeiras de telecomunicações.

A legislação sul-africana determina que companhias internacionais do setor concedam uma parcela minoritária de suas operações no país a investidores negros ou pertencentes a grupos historicamente desfavorecidos. A medida faz parte das políticas de ação afirmativa criadas após o fim do apartheid, período em que a população branca concentrava o poder econômico e político.

Musk afirma que a exigência impediu a entrada da Starlink no mercado sul-africano e já acusou o governo do país de adotar uma postura racista contra ele. As críticas foram direcionadas às políticas de inclusão econômica adotadas pelo governo local.


Jeff Bezos e Elon Musk – Imagem: DFree e Press Connect/Shutterstock

Enquanto enfrenta esse obstáculo, a empresa de Bezos recebeu apoio oficial das autoridades sul-africanas. O ministro das Comunicações, Solly Malatsi, participou do anúncio da parceria entre Amazon e Herotel ao lado de representantes das duas empresas.

A diferença de momento entre as companhias também aparece na escala de operação. A Amazon começou a lançar seus primeiros satélites de baixa altitude no ano passado e informou possuir mais de 390 equipamentos em funcionamento. A Starlink, por outro lado, iniciou suas atividades em 2019 e declarou contar com mais de 10 mil satélites em órbita.

Apesar da vantagem da rival no número de satélites e na cobertura internacional, a Amazon busca ampliar sua presença em países onde a conectividade ainda enfrenta limitações. O continente africano reúne mais de 1,5 bilhão de habitantes, muitos deles em regiões rurais ou sem acesso a redes fixas de internet.

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Além da África do Sul, o Amazon Leo já anunciou planos ou acordos para atuar em países como Tailândia, Cazaquistão, Austrália, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai. A companhia também fechou parceria com a Vanu Inc., empresa norte-americana especializada em soluções de internet móvel para países em desenvolvimento.

Mesmo com a expansão da Amazon, a Starlink mantém uma posição dominante no setor. Segundo a empresa de Musk, seu serviço já está disponível em mais de 160 países, incluindo cerca de duas dezenas de mercados africanos, embora ainda não tenha chegado à África do Sul.

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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