Duas séries de NTN-Bs – títulos do Tesouro IPCA+ – vencem no próximo sábado (15) e devolvem um relevante montante de cerca de R$ 260 bilhões ao mercado brasileiro. Os investidores precisarão decidir entre realocar os recursos ou usá-los para para outro fim. Quem decidir pelo reinvestimento deve optar pelo Tesouro IPCA+ novamente, segundo o Inter.
O banco calcula que os papéis que vencem no fim desta semana acumularam 255,9% e 234,3% de retorno desde 2016 até a primeira semana de agosto, ante 164,2% do CDI no mesmo intervalo, uma diferença de 70 a 92 pontos percentuais sobre o benchmark.
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A janela do juro real
Em relatório, o Inter coloca seu argumento central no patamar atual das taxas. Com a Selic em 14% ao ano após o corte do Copom e o IPCA rodando a 4,64%, o Tesouro IPCA+ vem pagando juro real de 7% a mais de 8% ao ano, dependendo do vencimento. O Inter classifica esse nível como raro e afirma que taxas reais acima de 7,5% ao ano só foram observadas em 2015/16 e em 2008.
Na série de prêmio das NTN-Bs com juros semestrais de 5 a 10 anos usada pelo banco, a média histórica fica próxima de 6%.
Daí a recomendação de “reforçar a posição em IPCA+” no momento do reinvestimento, em vez de rolar os recursos para pós-fixados. O banco reconhece a volatilidade da marcação a mercado como característica do papel indexado, sensível a mudanças na percepção de risco fiscal e na trajetória dos juros reais, mas argumenta que quem carregou o título até o vencimento colheu o prêmio de forma consistente.
Para quem tem horizonte mais curto ou prioriza liquidez, o Inter considera que o Tesouro Selic segue como opção sólida, com retorno nominal elevado frente à média histórica.
Já para horizontes longos, o banco cita os vencimentos intermediários e longos do Tesouro IPCA+ – 2032, 2040 e 2050 – como forma de travar prêmio real acima da média por muitos anos, algo que descreve como especialmente valioso para objetivos como aposentadoria ou educação dos filhos, pelo efeito dos juros compostos sobre um retorno real elevado.
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IPCA+ ou pós-fixados?
Apesar da recomendação de reinvestir em títulos de inflação, eles não são maioria nos portfólios dos especialistas.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, trabalha com 40% a 60% em pós-fixados para um investidor moderado e entre 20% e 30% em papéis atrelados à inflação.
Já Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio-fundador da AW Capital, mantém 50% em pós-fixado, 35% em inflação e 15% em prefixado. “A parcela pós-fixada precisa ser a maior fatia do portfólio do investidor brasileiro”, diz, citando o juro nominal ainda na casa dos 14%.
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Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, prefere o pós-fixado no curto prazo. Em julho, o IMA-S, que espelha o Tesouro Selic, subiu 1,23%, enquanto o IMA-B, dos títulos públicos de inflação, avançou 0,97%, segundo a Anbima. “Para agosto, eu favoreço o CDI e o IMA-S em retorno ajustado ao risco”, afirma. Ele alerta ainda para o risco de confundir taxa alta com ausência de risco: um papel IPCA + 8% continua exposto a marcação a mercado, crédito, liquidez e custo de oportunidade.
No entanto, há divergências sobre qual vencimento escolher entre os títulos de inflação. Perri prefere o intervalo de 2032 a 2040 e considera que “a taxa de 2032 é a melhor hoje, com uma duração bem contida”. Parente separa por horizonte: 2032 e 2037 para prazos mais curtos, pela duration menor, e 2045 e 2050 para o investidor arrojado disposto a operar trades de curva. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, também destaca os vencimentos intermediários.
Crédito privado como complemento
No relatório, o Inter menciona o crédito privado para quem busca retorno superior, com taxas mais atrativas e muitas vezes isentas de Imposto de Renda, mas ressalta risco proporcionalmente maior e a necessidade de diversificação.
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Nos CDBs indexados à inflação emitidos em julho, a taxa média de 12 meses foi de IPCA + 8,32%, ante IPCA + 8,46% em 24 meses e IPCA + 8,39% em 36 meses, segundo levantamento da Quantum Finance a pedido do InfoMoney.
Felipe Passero, CEO da Jaguaretê Investimentos, avalia que o prêmio do high grade – papéis de empresas com notas de crédito altas – está apertado e abaixo da média histórica, e vê mais valor no high yield com garantia real atrelada à operação. Parente prefere justamente o high grade, citando emissoras de grande porte, além de CDBs de bancos médios dentro do limite do FGC. Perri tem olhado mais para CRIs e CRAs, inclusive no mercado secundário.


