No Dia Internacional da Mulher, a cantora reflete sobre as conquistas do feminismo e a importância do movimento para sua identidade Neste 8 de Março, Dia Internacional de luta das Mulheres, eu gostaria de ressaltar e louvar a importância do feminismo e sua contribuição na construção de uma sociedade mais justa e contra a opressão à toda e qualquer mulher.
O feminismo é uma das forças revolucionárias mais importantes de nosso tempo; sobretudo porque questiona e deslegitima a natureza histórica e opressora do patriarcado contra mulheres e contra tudo que está circunscrito nos signos do feminino e nos coloca como iguais em direitos e em capacidades. Para o patriarcado é como se o ser-mulher fosse uma sub-espécie da humanidade, destinada a servir e procriar para o gênero masculino.
O patriarcado se estruturou em despir e desqualificar as mulheres de suas inteligências, aptidões, afetividades e subjetividades até a apropriação total de nossos saberes e corpos. Eis uma estrutura opressora histórica que tem o machismo e a misoginia como seus braços.

Mas quero falar menos do patriarcado e me atentar a falar mais do Feminismo que foi tão fundamental na construção da minha dignidade e consciência como uma mulher trans.
O Feminismo me acolheu, me deu o que vestir, me apresentou à minha dignidade, me abraçou sem ter vergonha de quem eu era e mostrou minha força e beleza. O feminismo me chamou pelo meu nome.
Me lembro que nas primeiras semanas de minha transição de gênero, eu recebi muitos presentes das mulheres que andavam comigo: ganhei vestidos, saias, sandálias e sapatos; maquiagens e lenços; perfumes e acessórios. Era como uma recepção de boas vindas. Ganhei meu respeito. Ganhei defensoras de meu nome e de meus devidos pronomes (ela/dela) e foi fundamental o colo e as trocas com minhas amigas para minha autoafirmação no mundo.
Uma das trocas essenciais que aprendi é de que minha emancipação e dignidade eu conquisto todos os dias com organização, construção de consciência e luta.
Lembro-me de quando refleti acerca da icônica frase de Simone de Beauvoir: “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Essa reflexão foi como uma tempestade, uma erupção vulcânica ou um terremoto que ao passar por nós não nos deixa ser mais as mesmas. Beauvoir encontrou nesse excerto o cerne das diferenças da natureza do que é ser mulher e antecipou a qualidade cultural e histórica do conceito de mulheridade, deslegitimando a lógica criacionista e biologizante desse conceito. Beauvoir trouxe as mulheres trans e travestis à discussão mesmo sem ter noção do impacto dessa máxima: “não se nasce mulher, torna-se”. Ela entendeu muito bem o existencialismo: “a existência precede a essência.” Ser mulher não se limita a uma vagina, um útero ou à capacidade de gestar. Ser mulher é uma atribuição socialmente construída. Vai além.
Desse modo minhas amigas, construímos não uma ideologia de gênero, mas uma contra-ideologia; estamos dando ao mundo um vocabulário, um sistema teórico de luta inteiro.
Por isso é importante lembrar:
Se você é uma mulher em pleno 2025, você tem direito a votar em candidatas e candidatos que vão te representar politicamente; e isto é graças ao feminismo.
Se você é uma mulher em pleno 2025, você tem o direito aos estudos e ao ingresso e formação numa universidade; isto é graças ao feminismo.
Se você é uma mulher em pleno 2025, você tem o direito de trabalhar e ter direito a ser remunerada por ter exercido seu ofício; isto é graças ao feminismo.
Se você é uma mulher em pleno 2025 e for maior de 18 anos, você tem autonomia sobre seu corpo para ir e vir e também para viajar nacional e internacionalmente sem a tutela de um marido ou um homem; isto é graças ao feminismo.
Se você é uma mulher em pleno 2025, você tem o direito ao divórcio; isto é graças ao feminismo.
Se você é uma mulher em pleno 2025, você tem o direito de ser esportista e escolher por carreiras como futebol, por exemplo; isto é graças ao feminismo.
Embora tenhamos conquistado muitas batalhas, algumas ainda estão sendo atravancadas por portadores de privilégios patriarcais. É importante lembrar que o Feminismo não se estrutura no revanchismo contra o masculino; pelo contrário, acredita na igualdade de direitos e deveres, tendo em vista as diferenças dos corpos em quaisquer gêneros. Feminismo é sobre emancipação, dignidade e respeito.
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