A busca por autonomia financeira, que permite decidir sobre a própria vida, figura como a principal prioridade para as mulheres, conforme revelado pela pesquisa “Mulheres e Mercado de Trabalho”, divulgada no último sábado (7). O estudo confirma a persistente desigualdade no ambiente profissional, evidenciando percepções femininas sobre práticas discriminatórias e violentas.
A Busca por Independência e Bem-Estar
Realizada pela Consultoria Maya, em colaboração com a plataforma Koru, a pesquisa ouviu 180 mulheres de diversos perfis etários e etnorraciais, exceto indígenas, para entender suas visões sobre trabalho e vida pessoal. Ao discorrer sobre ambições, 37,3% delas apontaram a independência financeira como primordial. Em segundo lugar, com 31%, estava a saúde mental e física, seguida pela realização profissional. Ter uma relação amorosa sequer figura entre as metas de uma em cada dez entrevistadas.
Paola Carvalho, diretora da Consultoria Maya, enfatizou que a autonomia financeira transcende o poder de compra, significando “ter salário, rendimento e poder de decisão”. Ela ressaltou que tal independência é “condição para liberdade de escolha”, permitindo, por exemplo, que uma mulher se afaste de um relacionamento abusivo ou proporcione melhores condições à sua família.
Barreiras no Caminho: Violência e Discriminação Profissional
Para muitas mulheres, o emprego remunerado é o portal para a autonomia. Contudo, barreiras culturais persistem no acesso e na ascensão profissional, mesmo com maior formação e currículo. Entre os obstáculos mais salientes estão a discriminação e a violência. Um exemplo preocupante é a preterição em promoções devido à maternidade, relatada por 2,3% das entrevistadas. Uma participante, sem identificação, observou a predileção por “mulheres sem filhos e, por último, mulheres com filhos” em promoções.
A violência psicológica também impacta severamente suas carreiras, com mais de sete em cada dez entrevistadas afirmando tê-la sofrido. Isso inclui comentários sexistas, desvalorizando aptidões femininas ou ofensas sobre a aparência, além de interrupções frequentes em reuniões, apropriação de ideias e questionamentos sobre capacidade técnica. Relatos evidenciam a desconfiança em suas competências: “Meu coordenador me ofereceu um cargo e, quando aceitei, por três vezes, ele me chamou para questionar se eu achava que conseguiria”, e outro ainda mais intrusivo: “Ele teve a audácia de me pedir para conversar com o meu esposo sobre a minha decisão”.
Impacto na Carreira e Desigualdade nos Altos Cargos
Apesar dessas adversidades, que levam muitas a considerar desistir do trabalho, a permanência feminina no mercado ocorre “apesar das adversidades, e não pelas condições plenamente equitativas”. A disparidade é flagrante na distribuição de cargos: a maioria das entrevistadas ocupa posições operacionais e intermediárias, como coordenadoras e gerentes. Apenas 5,6% alcançam postos de diretoria ou “C-levels”, os mais altos executivos.
Paola Carvalho conclui que “a presença feminina diminui drasticamente à medida que os cargos se tornam mais estratégicos, revelando uma estrutura sexista”. Para reverter esse cenário, a consultora propõe um comprometimento de todos, do estagiário ao CEO, com uma nova visão e atitudes. “É preciso ter um olhar diferente para essas questões. Isso parte de ações individuais e institucionais”, enfatizou, expressando choque com esses resultados “em 2026”.


















