Embora tenha tentado conversar com o crescente contingente de empreendedores e autônomos dentro do mercado de trabalho brasileiro, o que marca as principais políticas do governo Lula para os trabalhadores continuam sendo as medidas para aqueles que são empregados, isto é, que trabalham para uma empresa ou patrão.
Dentre os trabalhadores, são eles os principais beneficiados de grandes medidas que marcaram a atual gestão como os aumentos reais do salário mínimo, a isenção do Imposto de Renda (IR) até 5.000 reais (que é descontado diretamente da folha de quem é CLT) ou a empreitada pela aprovação do fim da escala 6×1.
O crescimento do interesse da população pelo empreendorismo e o avanço de atividades como a de motoristas e entregadores de plataformas são alguns dos fatores que foram aos poucos mudando o perfil da classe média no país ao longo dos anos e trazendo novas demandas que os dois atuais candidatos à Presidência, Flávio Bolsonaro e o presidente Lula, tentam contemplar em suas campanhas.
Os empregados continuam, de fato, sendo a grande maioria dos trabalhadores do país, e o contingente de pessoas com carteira assinada não para de crescer e nunca foi tão grande.
Por outro lado, o número de pessoas trabalhando por conta própria cresceu ainda mais rápido e sua participação na força de trabalho, hoje de cerca de um quarto do total, está em um dos maiores níveis já registrados. A diferença é que esta é a primeira vez em que este número se mantém alto mesmo em um momento em que o desemprego está baixo – ou seja, mesmo quando os profissionais poderiam encontrar vagas disponíveis nas empresas.
O maior crescimento
Desde 2012, ano em que em começa a série das estatísticas do mercado de trabalho do IBGE, o número total de trabalhadores por conta própria cresceu praticamente 30%, somando 26 milhões de brasileiros nesta categoria, o maior contingente da série história.
É onde entram os trabalhadores e prestadores de serviços autônomos. Foi o maior crescimento dentre todos os principais tipos de ocupação agrupoados pelo IBGE.
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Só a única outra categoria que também é de donos do próprio negócio, a de empregadores (em que entram os donos de pequenas a grandes empresas), chegou perto, com um aumento de 27% no período e um total de 4,3 milhões de pessoas atualmente.
Na outra ponta, os empregados com registro pela CLT continuam sendo o maior grupo, abarcando 39 milhões de trabalhadores, mas foram uma das categorias que menos cresceu, com aumento de 15% no mesmo período. Apenas a categoria das empregadas e empregados domésticos ficou pior, com um recuo de 9% desde 2012.
Os dados são da edição trimestral da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do IBGE, e vão até o segundo trimestre de 2026, levantamento mais recente.
Um quarto dos trabalhadores
Atualmente, os trabalhadores por conta própria representam 25% da força de trabalho total, ante os cerca de 22% em que rodada em 2012.
Quando somada à categoria dos empregadores, a proporção sobe para 29%, ante cerca de 26% em 2012.
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Autônomos em alta com desemprego em baixa
Os trabalhadores por conta própria já tiveram participações maiores na população ocupada em outros momentos da história recente.
Em 2018 e 2019 eles já tinham chegado a representar 25%, como hoje, e, em 2020 e 2021, ainda sob os reflexos da pandemia, chegaram a bater o recorde de 27% do total de ocupados no país.
Esta é a primeira vez, porém, que o contingente de pessoas trabalhando como autônomas continua alto mesmo com o desemprego em baixa, um indicativo de que, desta vez, a modalidade pode ter sido escolhida por opção e não por falta dela.
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Nos outros dois momentos de pico do trabalho por conta própria, o Brasil vivia uma crise no mercado de trabalho, com níveis altos de desemprego.
Entre 2016 e 2019, na lenta saída da profunda recessão que o país viveu em 2015 e 2016, a taxa desemprego nunca caiu abaixo dos 11%, e a penúria de vagas no mercado levou a uma prolongada crise de aumento da informalidade no país.
Foi o quadro que se repetiu depois em 2020 e 2021, desta vez por conta da aguda recessão e do fechamento de postos causados pela crise sanitária daqueles anos. A taxa de desemprego chegou a bater o recorde de 14% em 2021.
Foram os únicos dois momentos em que a participação dos trabalhadores CLT na força de trabalho caiu a 36%, nos menos níveis já registrados na série do IBGE.
Hoje, a taxa de desemprego está perto dos 5%, nos menores níveis da história, e os postos CLT já voltaram a representar 38% da força de trabalho, segundo o IBGE. Ainda assim, o número de autônomos continuou crescendo.
Fonte: Abril


