No novo longa estrelado por Nicole Kidman, as fantasias sexuais femininas de uma mulher poderosa levam a um debate sobre o desejo muito mais amplo do que no seu predecessor Ganhei de um grupo de amigas um vibrador. Ressabiada com o aspirador de clitóris, deixei ele esquecido na gaveta do armário até ir ao cinema assistir Babygirl. Voltei animada com a dancinha ao som de Father Figure e decidi inaugurar meu brinquedinho. Jorginho, apelido carinhoso que ele recebeu depois da primeira performance, ganhou status de amante. Sou muito feliz na minha relação, mas explorar meu corpo sozinha também é uma delícia. Jorginho e eu nos encontramos quase todo dia no horário do almoço, passamos um tempo juntos. Depois do rala e vibra, fumamos um cigarro e combinamos de nos ver no dia seguinte. Para além dos prazeres da carne, ou do silicone emborrachado, Babygirl mexeu comigo da cintura pra cima. É um filme sobre a conquista da liberdade. Mas ela ainda me parece tão distante da imensa maioria de nós. Já avançamos muito, é verdade.
Nicole Kidman em “Babygirl”
Divulgação
Há dez anos, Cinquenta Tons de Cinza mostrava uma mocinha inocente com uma franja besta, encantada por um homem dominador e milionário de terno duvidoso. Hoje, quem está sentada na cadeira de CEO, é a protagonista interpretada por Nicole Kidman. Apesar de todas as conquistas no mundo do trabalho, dela e todas nós, continuamos com um nó na garganta que não é da gravata de seda. A personagem não goza com o marido e tenho certeza de que ela não é uma exceção. Brilhantemente desenhado no roteiro e interpretado por Antônio Banderas, o esposo do filme é sexy, educado, gentil, ama a mulher e se importa com ela. Mas tem um defeito que parece bastante comum entre os homens: ele não faz ideia do que ela deseja na cama. “Ah, mas por que ela não fala para ele o que ela quer? Por que ela se envergonha tanto de suas fantasias?”. Me perguntaram vários amigos homens que viram o filme. Como eles poderiam entender esse conflito?
Cena de ‘Cinquenta Tons de Cinza’
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Saiba mais
O desejo masculino sempre esteve estampado em comerciais de cerveja, programas dominicais com mulheres de biquíni no palco, enquanto o desejo da mulher é guardado a sete chaves nos nossos diários. Isso quando temos coragem de confessá-lo a um caderno. Aliás, é recente até a “novidade” de que temos desejo. Talvez tão recente quanto a invenção do meu Jorginho. E não é que faltam designers para pensar em novos brinquedinhos sexuais. É que não interessa ter mulheres sexualmente libertas. Porque se libertar na cama, como o filme brilhantemente mostra, é se libertar de muito mais.
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Nicole Kidman em “Babygirl”
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Ao realizar nossas fantasias entre quatro paredes, oferecemos o risco de querermos gozar, com o perdão do duplo sentido, de uma posição melhor no trabalho, de não ser mãe, de ficarmos solteiras. Não tem como separar o sexo do resto e nosso amigo Freud já sabia disso faz tempo. Como podemos dizer o que sentimos, o que queremos, se nem no nosso momento de maior intimidade debaixo dos lençóis com nossos companheiros ou companheiras, temos essa coragem? Babygirl é incrível, mas é só o começo do caminho. Até porque, (já que estamos no campo das metáforas de duplo sentido), nosso buraco é bem mais embaixo…
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