O Banco Central interrompeu nesta quarta-feira, 4, o ciclo de redução da taxa básica de juros, iniciado em março deste ano. Em decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi mantida em 13,75% ao ano, em meio à deterioração de indicadores financeiros e cambiais após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dentro da expectativa
A decisão confirmou a expectativa predominante entre os analistas do mercado financeiro. Em pesquisa realizada pela Bloomberg com 29 economistas, 24 projetavam a manutenção dos juros no patamar atual, enquanto cinco ainda esperavam um corte de 0,25 ponto percentual. A mediana das estimativas do boletim Focus, considerando os analistas que atualizaram suas projeções na semana passada, igualmente indicava uma Selic de 13,75%.
Reação do mercado ao governo Lula 4
A mudança recente nas expectativas do mercado financeiro ocorreu após o segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro. Antes do pleito, as projeções de mercado apontavam para uma taxa de 13,25% no encerramento deste ano, com a possibilidade de novos cortes nas reuniões de novembro e dezembro. A reação dos investidores à vitória de Lula, porém, elevou a percepção de risco sobre a economia brasileira e tornou mais incerta a trajetória dos juros.
Entre os fatores que pressionaram os mercados estão a desvalorização do real, as preocupações com a situação das contas públicas e a alta dos juros futuros. Também contribuiu para a piora das expectativas o aumento do preço internacional do petróleo, que pode elevar os custos de produtos e serviços e dificultar o controle da inflação. A reação dos investidores está relacionada, ainda, a especulações sobre a possibilidade de adoção de uma política econômica mais heterodoxa no quarto mandato de Lula, o que aumentou os prêmios de risco exigidos para investir no país.
O desempenho dos ativos brasileiros reflete o aumento da desconfiança. Desde o segundo turno, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, acumula desvalorização de 18,45%. No mesmo intervalo, o dólar avançou cerca de 10% e chegou a 5,46 reais.
Preocupação com a inflação
O cenário dos preços também representa um desafio para a política monetária. O IPCA, índice oficial de inflação, acumulou alta de 4,58% nos 12 meses encerrados em setembro, acima do teto de tolerância de 4,5% em torno da meta central de 3%. No Focus, a estimativa para a inflação ao fim deste ano está em 5,20%.
Pelo regime de metas contínuas, o objetivo do Banco Central é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O descumprimento da meta é caracterizado quando o índice permanece fora desse intervalo por seis meses consecutivos. Nesse contexto, a alta do dólar e do petróleo, assim como a deterioração das expectativas de inflação para prazos mais longos, dificulta a perspectiva de convergência dos preços para o objetivo estabelecido.
[Matéria em atualização]
Fonte: Abril


