O Brasil registrou 437 mil hectares de área queimada em janeiro deste ano, marcando o menor índice para o mês nos últimos dois anos. Apesar desta redução geral significativa, dados do Monitor do Fogo do MapBiomas revelam um aumento preocupante de incêndios no Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica. Vera Arruda, coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, ressaltou a importância de tais alertas, especialmente porque esses aumentos ocorreram em um mês tipicamente chuvoso em grande parte do país.
Cenário Detalhado dos Biomas
Ao longo de janeiro, a Amazônia concentrou a maior parte das queimadas, com mais de 337 mil hectares. Outros biomas afetados incluem o Pantanal (38 mil hectares), Cerrado (26 mil hectares), Caatinga (18 mil hectares), Mata Atlântica (14 mil hectares) e Pampa (59 hectares). Em comparação com janeiro do ano anterior, houve uma diminuição de 46% na Amazônia, 98% no Pampa e 8% no Cerrado. Contudo, o Pantanal registrou um aumento de 323% na área queimada, a Mata Atlântica 177% e a Caatinga 203%.
Composição da Área Atingida
A maior parte da área consumida pelo fogo no país em janeiro, 66,8%, correspondia à vegetação nativa, sendo 35% de formações campestres, 17,3% de campos alagados e 7,3% de florestas. Entre as áreas com uso do solo modificado por atividades humanas, as pastagens foram as mais queimadas, representando 26,3% do total atingido.
Destaque para a Amazônia e Roraima
Em extensão, o bioma amazônico foi o mais impactado no primeiro mês do ano, com uma área nove vezes maior que a do Pantanal, o segundo bioma com maior área atingida. Somente o estado de Roraima teve uma área queimada que superou três vezes a totalidade do que foi consumido no Pantanal, totalizando 156,9 mil hectares.
Felipe Martenexen, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), explica que Roraima, por estar inteiramente acima da Linha do Equador, possui um calendário climático distinto. O estado atravessa o “verão roraimense” – sua estiagem – entre dezembro e abril, período que aumenta significativamente a vulnerabilidade ao fogo, especialmente em formações campestres (lavrados) e outras áreas abertas. A predominância das queimadas em estados amazônicos como Maranhão (109 mil hectares) e Pará (67,9 mil hectares) em janeiro está diretamente associada a essa sazonalidade invertida.




















